Resenha crítica - Por: Estefânia Alves Konrad e Joseane Zorzoli
Livro: ORWELL, George. A revolução dos bichos: Um conto de fadas. São Paulo, Companhia das Letras, 2007.
Introdução
O livro “Revolução dos Bichos: Um conto de fadas” de Orwell é subdividido em dez capítulos e foi originalmente publicado no Reino Unido em 1945. George Orwell é o pseudônimo de Eric Arthur Blair (1903 – 1950), ele nasceu na Índia e foi educado na Inglaterra. Foi jornalista, crítico e romancista, serviu o exercito britânico na Birmânia e lutou – como voluntário – na Guerra Civil espanhola. Além desta obra, a editora Companhia das Letras publicou outros livros do autor, são eles: Dentro da baleia e outros ensaios, Na pior em Paris e Londres, A flor da Inglaterra, Dias na Birmânia, 1984 e O caminho para Wigan Pier.
A história se passa na Granja Solar e começa com um porco, nomeado Major, que reúne os animais e conta um sonho que tivera, expondo sua indignação à exploração humana para com os animais e propõe uma revolução para expulsar os homens da granja. Porém ele morre poucos dias após o pronunciamento, mas a semente de mudança plantada por Major reverberou entre os bichos que acabam, três meses depois, organizados pelos – animais mais inteligentes - porcos (Bola-de-Neve e Napoleão + apoio de Garganta), por colocar o plano em prática e nomeiam o movimento de Animalismo.
Após a posse a “Granja do Solar” passa a se chamar “Granja dos bichos” e por uma questão de organização de grupo, delimitaram sete mandamentos a serem seguidos, são eles: 1) Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo; 2) O que andar sobre quatro pernas, ou tiver asas, é amigo; 3) Nenhum animal usará roupa; 4) Nenhum animal dormirá em cama; 5) Nenhum animal matará outro animal; 7) Todos os animais são iguais.
Com decorrer da história, Bola-de-Neve e Napoleão começam a tirar vantagens da posição de poder, mas também divergem entre si sobre seus ideais. Esses desentendimentos entre os dois acabam por desfazer a aliança e Bola-de-Neve é tachado como traidor e expulso da granja. Conforme a narrativa vai se desenrolando, fica evidente a mudança de perspectiva dos lideres, se em um primeiro momento a ideia era excluir humanos e formar um sistema igualitário entre os animais, no segundo momento, usufruindo o poder, e experimentando da ambição, os porcos acabam se igualando aos homens.
Desenvolvimento
A escrita da obra trata-se de uma sátira feita pelo autor a ditadura stalinista. Anos depois com o acirramento da Guerra Fria, o Ocidente passou a usar a fábula como arma ideológica anticomunista. Orwel, de forma extremamente pertinente, revela, através dos personagens que compõem sua narrativa, a personalidade dos homens que fazem parte do cenário político da época – e não só dela - com a ousadia de compará-los com porcos. Mas não somente aos porcos foram atribuídas características, pois cada um dos bichos e suas subjetividades apontam as personalidades e movimentos das pessoas de nossa sociedade. Destacamos Sansão um cavalo muito trabalhador, fiel e preza pelo certo, apesar de por vezes não concordar com algumas ordens, era prestativo e trabalhava voluntariamente para o bem comum, mas após estar doente e não servir mais para o trabalho é encaminhado para execução. Beijamin, por ironia, representado por um burro, o único que desconfiava das intenções de Napoleão. E garganta, um porco braço direito das peripécias de Napoleão, ele era convincente e conseguia persuadir com facilidade os demais animais com argumentos incontestáveis.
Com desdobramento da história e mudança nos interesses dos porcos, eles alteravam os mandamentos, no quarto mandamento, por exemplo, o principio era “nenhum animal dormirá em cama” e após a mudança dos porcos para casa, alteraram o mandamento, ficando “nenhum animal dormirá em cama com lençóis”, Garganta ainda defendeu a posição dos porcos afirmando que liderar e desenvolver trabalho intelectual precisava de regalias e ameaçava os bichos dizendo que se os porcos não estivessem bem para liderar o dono da granja teria de retornar. Os animais, apesar de não estarem de acordo com algumas das decisões dos porcos e ainda com carga excessiva de trabalho, preferiam trabalhar em benefício próprio e não mais para os humanos.
Ao perceber a insatisfação de alguns dos bichos, Napoleão pensou em uma estratégia para convencer o grupo de que serem liderados por ele era a melhor opção que tinham, visto isso, sabotava algumas das produções feitas na granja e começará a dizer que Bola-de-Neve tinha acesso a Granja dos Bichos durante a madrugada e as coisas não estarem indo como se esperava era culpa dessas intervenções. E ainda instigou a desconfiança entre os animais, dizendo que para o porco estar tendo esse acesso, estava tendo auxilio de alguém. O poder de manipulação foi tanto, que alguns bichos começaram a confessar (mesmo não existindo confissões a serem feitas), mas como Napoleão estava dizendo, certamente tinha razão em fazer. O líder, mais que de pressa, com seus cães de guarda, manda executar, em frente aos de mais animais, os que confessaram crimes. Após a sessão de matança, alguns animais começaram a lembrar do quinto mandamento “nenhum animal matará outro animal” e quando foram revisar, o mandamento havia sido alterado para “nenhum animal matará outro animal sem motivo” e como “Napoleão sempre tinha razão” não titubearam. Entendemos que a intenção do autor ao reportar esse trecho foi apresentar como se dão as relações de poder antidemocráticas.
Consideramos um dos pontos altos da trama a rebelião das galinhas ao desperdiçarem seus ovos para não seguirem as ordens de Napoleão. Como punição não foram alimentadas e acabaram morrendo. As sobreviventes precisaram acabar cedendo às ordens do líder que vendeu os ovos. Acreditamos que a partir deste ponto, os bichos, mesmo não se opondo as ordens, começaram a ver as decisões de Napoleão com dúvida de suas intenções.
Conclusão
Em suma, como trazido na contracapa, A revolução dos bichos transcende os marcos históricos nos quais foi escrito e resplandece até os dias atuais, mesmo passados 76 anos de sua primeira publicação. Outra qualidade a se destacar é a linguagem utilizada por Orwell que é capaz de alcançar crianças, jovens e adultos, bem como a essência do enredo é compreensível independentemente da imersão política do leitor.
Ao analisar a postura de Napoleão, fizemos ligação direta à famosa citação da obra de Freire – Pedagogia do oprimido - “o sonho do oprimido é ser opressor”. O porco acabou se corrompendo aos privilégios que o poder proporcionou e o propósito da revolução se perdeu. E o lema “quatro pernas bom, duas pernas ruim” passou a ser “todos os bichos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros”. Os ideiais igualitários deixaram de ser prioridade dando lugar a opressão do líder, demonstrando que a tirania independe da espécie, sejam eles humanos ou porcos.
Metodologia para escrita da resenha crítica
Para escrever a resenha crítica, realizamos a leitura da obra, destacando os pontos que consideramos mais importantes. Ao final de cada capitulo, sintetizamos, por escrito, todas as marcações feitas para então avançar na leitura.
Após, procuramos por vídeos no YouTube relacionados ao livro em questão e encontramos inúmeras produções, mas nos restringimos a assistir duas. Uma cinematográfica produzida em 1999 e o vídeo feito por Tatiana Feltrin do canal “Ligando livros a pessoas”. E ainda, realizamos leituras de resumos e resenhas produzidos por blogs de leitura e literatura para termos ambiência tanto da obra, quanto seu contexto histórico e coletar informações importantes sobre o autor. Ambas – textos e vídeos - foram influencias importantes para consolidar nossas percepções sobre a obra.
Por fim, pesquisamos como estruturar uma escrita como esta, visto que ainda não havíamos realizado nenhuma resenha crítica e nos guiamos pelas indicações do blog “Toda Materia” no post intitulado “Como fazer uma resenha crítica”, matéria escrita por uma professora licenciada em Letras.
Referencias
BASTOS, N. A revolução dos bichos. Portal G1, 2015. Disponível em: http://educacao.globo.com/literatura/assunto/resumos-de-livros/a-revolucao-dos-bichos.html Acesso em 27 maio 2021.
DIANA, D. A revolução dos bichos. Toda Matéria. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/a-revolucao-dos-bichos/ Acesso em 27 maio 2021.
DIANA, D. Como fazer resenha crítica. Toda Matéria. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/resenha-critica/amp/ Acesso em: 27 maio 2021.
FELTRIN, Tatiana. A Revolução dos Bichos (George Orwell) | Tatiana Feltrin. YouTube. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=HuTVhDOBkr4> Acesso em: 27 maio 2021.
GONSALVES, P. H. Resenha de: “A revolução dos bichos”. GPET Física, UNICENTRO, Paraná. Disponível em: https://www3.unicentro.br/petfisica/2015/07/22/resenha-de-a-revolucao-dos-bichos/#:~:text=A%20hist%C3%B3ria%20tem%20em%20seu,de%20ironias%20que%20descrevem%20um Acesso em 27 maio 2021.
ORWELL, George. A revolução dos bichos: Um conto de fadas. São Paulo, Companhia das Letras, 2007.
SOARES, Deusdete. A revolução dos bichos George Orwell Dublado 1999. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=2ygQBkmMfqY Acesso em: 24 maio 2021.
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