ARTIGO SUBMETIDO NO VII CONGRESSO DE EXTENSÃO E CULTURA - VI SIIEPE - UFPEL 2020
FADA
MODERNA: DO PRESENCIAL AO REMOTO
ESTEFÂNIA
ALVES KONRAD1;
CRISTINA MARIA
ROSA3.
1Universidade Federal de Pelotas – estefaniakonrad@hotmail.com
3Universidade Federal de Pelotas – cris.rosa.ufpel@hotmail.com
1. INTRODUÇÃO
No trabalho
apresento a criação, produção e execução de um projeto interativo
personagem-conteúdo-público intitulado “Fada Moderna”. Por meio de postagens em
blog
desde 12 de maio de 2020 e em um perfil na plataforma Instagram desde
11 de junho de 2020, tive como objetivo democratizar o acesso a escritas
literárias e acadêmicas. Autorizada por autoras e autores, realizo leituras e
reproduções de trechos de livros. Discente em Pedagogia na FaE/UFPel, venho
adquirindo experiência na leitura de textos literários – especialmente
literatura infantil – através de projetos desenvolvidos como bolsista do
Programa de Educação Tutorial (PET Educação UFPel), o que justifica meu
interesse. Em 2020, com a inviabilidade de exercer as demandas no modo
presencial, surgiu à emergência de organizar formas para manter o estudo e o
vínculo com as tarefas de ensino, pesquisa e extensão. Assim, divulgar a já
consolidada “Fada Moderna” – personagem criada com intuito de ser bilhete de
ingresso em plataformas online – foi o modo de manter leituras que,
anteriormente, ocorriam em escolas, eventos literários, bibliotecas, seminários
e festas comunitárias, entre outras. Ao criar veículos virtuais, gerei um material
que originou esse estudo.
A primeira
pergunta que surgiu, quando do desejo de divulgar todo o experimento foi: Este
trabalho se caracteriza como extensão? Se sim, em que termos teóricos eu o
defenderia? Sou estudante, pesquisadora
e criei uma personagem. Como essas três “identidades” se inserem em um trabalho
científico? Quem descreve quem? A personagem e a pesquisadora podem ser objetos
de estudo?
Com essas
dúvidas, busco escritas sobre a importância da utilização de personagens e as
encontro em (NUNES, 2015) e sobre a escrita autobiográfica (BUENO, 2002). NUNES
(2015) reitera que as tecnologias – cada vez mais na realidade das crianças –
juntamente com personagens, são artifícios que “[...] acaba por dizimar a magia
e a riqueza que há por trás desse recurso, que vai além de informar, entreter,
motivar ou simplesmente transmitir algo” (p. 16). BUENO (2002) evidencia que a
narrativa não é “[...] um relatório de acontecimentos, mas a totalidade de uma
experiência de vida que ali se comunica” (p. 20). No artigo O método autobiográfico e os estudos com
histórias de vida de professores: A questão da subjetividade, a autora
relaciona esse método com a formação dos professores, momento em que me
encontro agora. Em suas palavras:
Fundamentalmente, é preciso pensar a formação do professor como um
processo, cujo início se situa muito antes do ingresso nos cursos de
habilitação – ou seja, desde os primórdios de sua escolarização e até mesmo
antes – e que depois destes tem prosseguimento durante todo o percurso profissional
do docente (BUENO, 2002, p.22).
Pautada nestes
princípios teóricos e metodológicos é que argumento pela necessidade e
importância de colocar em prática e refletir sobre as ações que envolvem
personagens, principalmente quando se trata de futuras(os) professoras(es).
2.
METODOLOGIA
Ao buscar
descrever a criação, produção e execução do projeto “Fada Moderna” no universo
da 6° SIIEPE, cerquei-me de metodologias de cunho qualitativo – segundo GUERRA
(2014), uma abordagem que “objetiva aprofundar-se na compreensão dos fenômenos
que estuda” (p. 11), – e de atitudes exploratórias, que buscam “levantar
informações sobre um determinado objeto, delimitando assim um campo de
trabalho” (SEVERINO, 2007, p.123). Como procedimento, escolhi realizar um inventário
– produto e o processo de alguém que está em busca (PRADO; MORAIS, 2011) –
acerca do grupo de ações que surgiram em tempos de trabalho obrigatoriamente
remoto. Inventários, de acordo com PRADO; MORAIS (2011):
[...] revelam nossas próprias contradições, limites, inconclusões,
incertezas, imprecisões. Ele é o produto e o processo de alguém que está em
busca de um modelo que reconheça e incorpore a possibilidade de pensar o
conhecimento de maneira compartilhada e complexa. Em busca. Não em chegada.
(PRADO; MORAIS, 2011, p.146).
Levando em
conta os postulados acima, descrevo passos – ideias, escolhas, tentativas,
manifestações, atitudes, desvios, trocas de rota – ou seja, todos os
procedimentos metodológicos dos quais lancei mão, no período de quatro meses
(maio a setembro de 2020) para chegar ao universo online com a Fada Moderna e
seu conteúdo e a desenvolver como um projeto extensionista.
Passos:
O primeiro
passo foi criar uma conta na plataforma “Blogger”
– para isso é preciso ter um e-mail já existente;
Configurar
layout de acordo com as minhas necessidades, portanto configurei as cores e a
forma de apresentação do blog para o público e adicionei um plano de fundo –
feito na plataforma “Canva.com”;
Compartilhar
minhas escritas autorais com determinada frequência e procurar formas de
divulgar para que outras pessoas pudessem ter acesso a este trabalho;
Pensar na
divulgação, que a princípio se deu por compartilhamentos em grupos da
plataforma “Whatsapp” e,
posteriormente, pensando em expandir o acesso é que criei a conta na plataforma
“Instagram”.
No Instagram, além do feed de notícias, onde posto “chamadas” para que os seguidores
acessem o blog, também utilizo o recurso de “hashtags” famosas que tenham ligação com a escrita, para que
leitores – ainda não seguidores - possam se deparar com este trabalho;
Para validar e
engajar a plataformas que impulsionam o trabalho autoral inscrevi o projeto
“Fada Moderna” em eventos: no edital cultural promovido pela ADUFPEL em julho
deste ano e no VII CEC/ VI SIIEPE/UFpel, por exemplo.
3.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Emergencialmente,
precisei aprender a trabalhar de forma remota, em âmbito geral, sendo esta a
maior descoberta. Apesar das dificuldades iniciais, percebi que um grupo
considerável de ações idealizadas em curto período foi desenvolvido com êxito,
encorajando-me a planejar projetos a médio e longo prazo. Entre as já postas em
prática, tenho disponível hoje, em ambas as plataformas, escritas acadêmicas e
literárias, bem como fotografias, ilustrações, correções ortográficas e
melhoramentos que foram ocorrendo conforme os feedbacks do público.
Uma das
maiores satisfações, neste curto período de existência do projeto, foi perceber
a identificação de um grupo de crianças que, em contato com as escritas literárias
infantis, se deleitaram, curtindo cada história, conto e poema.
4. CONCLUSÕES
Depois dos
primeiros quatro meses de trabalho remoto, sinto-me madura para refletir sobre
a importância e o impacto positivo destas ações na vida das pessoas, sejam elas
jovens, adultos e, principalmente, crianças que, neste período, acessam com
mais intensidade as plataformas em busca de conteúdo relevante. Acredito que o
programa Fada
Moderna consegue suprir esta necessidade com qualidade e
gratuitamente. Compreendi a escrita de
PRADO; MORAIS (2011) para quem é difícil quando “tomamos como objeto de
investigação uma experiência na qual fomos (ou somos) também partícipes, quando
elegemos materiais de análise nos quais estamos profundamente implicados”
(p.148). Estou aprendendo. Observando do ponto de vista da extensão
universitária, compreendo que ao propor, desenvolver, receber retorno e
avaliar, completo o grupo de critérios típicos de um projeto. Sua continuidade
é um de meus objetivos.
5.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BUENO, B. O. O método autobiográfico e os estudos com
histórias de vida de professores: A questão da subjetividade. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.28,
n.1, p. 11-30, 2002.
GUERRA, E. L. A. Manual
de pesquisa qualitativa. Belo Horizonte: Grupo Ânima Educação, 2014.
KONRAD, E. A. Fada
Moderna. Blogspot, Pelotas, c2020. Acessado em: 12 de Set. de 2020. Online.
Disponível em: https://efadamoderna.blogspot.com/
NUNES, G. V. O
jogo narrativo na educação infantil: compreendendo o mundo através de
personagens. TCC (Graduação em pedagogia) – Faculdade de Educação,
Unipampa.
PRADO, G. V. T. MORAIS, J. F. S. Inventário –
Organizando os achados de uma pesquisa.
EntreVer, Florianópolis, v. 01, n.01, p. 137-154, 2011.
SEVERINO, A. J.
Metodologia do trabalho cientifico. São Paulo: Ed. Cortez, 2007.
VÍDEO
DE APRESENTAÇÃO DO ARTIGO
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