Por: Estefânia Alves Konrad
Entrei em contato com @capradelivros; @ele.fante.histórias e @escrevendopedros, via direct do Instagram e encaminhei as seguintes perguntas:
"Como começou a tua relação com a literatura?; Por que decidiu criar
conteúdo digital para compartilhar teus conhecimentos?; Há quanto tempo produz
este tipo de conteúdo?; Quais eram os objetivos iniciais com as postagens?;
Eles se alteraram com o tempo?; Quais são as metas em longo prazo?; O que
funciona e o que não funciona?; Quais métodos já sabias e quais precisou
aprender para conseguir utilizar a plataforma na qual faz as postagens?; Com
que frequência realiza os posts?; Acredita que isso interfere ou beneficia para
alcançar os objetivos?; Tem publico alvo?; Sabe estatisticamente qual público
atinge?”.
Leonardo Capra
Instagram: @capradelivros
Como começou a tua relação com a
literatura?
Minha
relação com a literatura começou cedo, quando frequentava o ensino fundamental,
mas não foi por intermédio da escola, mas sim, pelo gibis da Turma da Mônica
que meu primos traziam de São Paulo. Era assim: aqueles que eles não gostavam
mais ele levavam para o Rio Grande do Sul, eu que vivia na roça com meus pais,
aproveitava demais as histórias em quadrinhos, já que não tinha livros e adorava
ler.
Meu
primeiro livro que me apaixonei foi "Por um simples pedaço de
cerâmica" da Linda Sue Park, depois dele me tornei um leitor constante tive
uma professora de Literatura que me incentivou a ler os clássicos brasileiros,
me indicado livros conforme eu ia gostando ou desgostando das leituras
anteriores depois troquei de escola, na escola técnica, em 2013 cursei apenas o
técnico porque já tinha feito o médio na outra escola, e no turno da manhã fui
responsável pela biblioteca da escola, que na época não tinha ninguém para lá
estar, eu mesmo me ofereci. Foi uma experiência incrível, conheci muitos livros
enquanto os organizava, conheci gêneros novos e também leitores que tinha
gostos diferentes dos meus, achei estranho, aprendi bastante. Minha relação com
a literatura fortificou quando conheci a professora Cristina Maria Rosa,
professora universitária do curso de Pedagogia, o qual cursei de 2015 até 2019.
Ela apresentava títulos, autores, gêneros, maneiras de ler, estratégias de
leitura, espaços literários e assim fui ampliando meu repertório literário e
consequentemente meu acervo.
Agora
que sou professor municipal e tenho uma renda física, invisto mensalmente na
compra de obras, para mim e para meus alunos. Ampliei meu vocabulário, percorri
linguagens diferentes e leio semanalmente para os pequenos. Posso afirmar que
neste momento a Literatura faz parte de todos os meus dias, direta e
indiretamente.
Outro
destaque importante é quando pequeno, eu e minha prima, dois anos mais novos,
brincávamos que seríamos apresentadores do Globo Rural, por isso juntávamos as
revistas da casa da minha avó paterna, escolhíamos reportagens que achávamos
interessantes, fazíamos a leitura silenciosa e depois brincávamos de
apresentadores lendo as reportagens em voz alta. Foram momentos divertidos, nos
quais utilizávamos da leitura como forma de brincadeira.
Por que decidiu criar conteúdo digital
para compartilhar teus conhecimentos?
Decidi
criar conteúdo digital literário para firmar um compromisso como leitor,
primeiro comigo mesmo, afim de criar constância na leitura literária e depois
para compartilhar. Importante salientar que primeiro o compromisso foi comigo,
pois ao contrario de muitos influenciadores digitais eu consumo o produto que
recomendo. O artefato cultural livro é lido, analisado, resenhado,
fotografado/filmado e só depois é compartilhado com "seguidores".
Quando tu ofereces um produto tu é responsável por ele, por isso não é qualquer
coisa que serve, é necessário estudo, método, estratégia e compromisso com quem
te assiste.
E,
quando o conteúdo é exposto ele reverbera, algumas pessoas sentem-se a vontade
para também indicar livros, como uma forma de troca, outros reclamam da obra,
elogiam o livro, dizem que querem muito ler este ou aquele. O que quero dizer:
um livro indicado gera uma reação, de naturezas diversas, e é responsabilidade
do criador de conteúdo lidar com seu seguidor, seja para orientá-lo, acalmá-lo
ou aconselhá-lo a abortar a missão em alguns casos.
Há quanto tempo produz este tipo de
conteúdo?
Comecei
a produzir o conteúdo literário digital no dia 26 de julho de 2020, a primeira
obra indicada foi "A história mais triste do mundo" de Mário Corso.
De
lá para cá, firmei um pacto com os leitores/espectadores: indicar todo domingo
às 13 horas um livro.
Geralmente
uma foto da capa da obra, acompanhada com uma resenha opinativa, alguns
critérios específicos de cada livro e uma frase marcante da obra.
Quando
a indicação é feita através de vídeo (IGTV ou REELS) o conteúdo do vídeo vem
munido de legenda, para que todos os telespectadores possam acessar o conteúdo
ali encontrado, já que entre os seguidores que acompanham o canal, estão
pessoas que não escutam.
Quais eram os objetivos iniciais com as
postagens?
Os
objetivos eram: ler mais e melhor, oferecer literatura de qualidade para
pessoas que não tem conhecimento da área, compartilhar e compartilhar emoções e
dores advindos dos livros, qualificar literariamente crianças, professores e
adultos que estão na rede social Instagram, debater literatura.
Eles se alteraram com o tempo?
Não
e sim, na verdade eles se ampliaram devido as necessidades que meu público
demandava. Por isso, por exemplo, tive de explorar gêneros e temas que
inicialmente não tinha pensado.
Um
curso sobre as obras de Machado de Assis, foi uma das coisas que inicialmente
não esperava fazer, e agora já feito achei uma delícia.
Conheci
mangás, um gênero muito bem quisto entre o universo geek
Também
acompanhei filmes que foram produzidos em decorrência dos livros indicados para
qualificar as colocações na rede social e convencer meu público ou não a ler.
Importante
dizer que a ampliação dos objetivos foi natural, quase imperceptível, em
decorrência das trocas literárias intensas que acontecem online.
Quais são as metas em longo prazo?
Ler
pro prazer, indicar com responsabilidade e conhecer mais leitores, opiniões,
leituras e pontos de vista.
Manter
e ampliar a qualidade da forma de entregar as postagens aos
leitores/espectadores
O que funciona e o que não funciona?
A
interatividade funciona bastante. Enquetes nos stories funcionam muito: tu
planta a dúvida na cabeça do leitor, que não conhece o livro, faz mais
perguntas, instiga, instiga, instiga e indica o livro. Nunca entregar toda a história, ler um
pedaço, contar uma parte, fazer perguntas, isso funciona!
Ser
gentil funciona também, sempre responder. As vezes tu recebe um comentário que
não é o que tu estava esperando, mas era o que o seguidor estava sentindo. E a
conversa funciona.
O
que não funciona é não ser pontual, o próprio Instagram te boicota se tu não és
pontual.
O
que é boicote do Instagram? Eu explico: ele tira o engajamento da tua rede
social quando tu posta em outros horários fora da rotina, ou quando tu não
posta. Ou seja, ele não entrega a postagem para os seguidores, assim quem aguarda
teu conteúdo acaba não recebendo.
Por
isso é importante cumprir com o compromisso firmado, palavra dada tem que ser
palavra cumprida.
Quais métodos já sabias e quais precisou
aprender para conseguir utilizar a plataforma na qual faz as postagens?
eu
sabia ler, sabia falar, e sabia conversar
tive
que aprender a postar, decorar, fotografar, gravar, editar.
Aprendi
a escrever resenhas mais diretas e instigantes. Muitas das coisas que citei
nesta resposta dão bastante trabalho, então ser mais paciente também foi um
método que tive de aprender.
Com que frequência realiza os posts?
Semanalmente,
aos domingos ás 13 horas da tarde.
E
nos stories do Instagram, instigo meus leitores no mínimo duas vezes por semana.
Com perguntas sobre obras e leituras já indicadas anteriormente
Acredita que isso interfere ou beneficia
para alcançar os objetivos?
Não
sei responder esta pergunta, sempre tenho em mente que este meu compromisso não
pode demandar um tempo maior do que eu possa oferecer. Sou professor da rede
municipal e mestrando e por isso as coisas precisam ser bastante organizadas.
Tenho atingido boa parte dos meus objetivos com o Capradelivros e como tudo
flui, vou adaptando as coisas conforme as necessidades dos leitores que me
assistem, da rede social e as minhas também. Não sei se respondi a pergunta.
Tem publico alvo?
Meu
público alvo são os humanos.
O
conteúdo é diversificado, tem literatura infantil e juvenil para as crianças
que acompanham o canal, para os professores que buscam por indicações
literárias, para pais-mães-familiares que querem ler para os pequenos, assim
busco sempre indicar mensalmente dois livros do gênero mencionado.
Só
que: a grande parte dos seguidores são adultos que buscam literatura adulta,
por isso os outros dois domingos são destinados para publicações adultas.
Homens
são predominantes entre os seguidores
Mulheres
interagem mais
Tem
muita coisa no Capradelivros, são cerca de 52 postagens feitas neste intervalo
de um ano do começo.
Acho
que tem pelo menos um livro que chamou atenção de cada seguidor/leitor, falando
aqui de literatura, é claro.
Sabe estatisticamente qual público
atinge?
56,5%
são homens
43,5%
mulheres
46,2%
são jovens de 18 a 24 anos
39%
tem entre 25 a 34 anos
são
seguidores do Brasil, Estados Unidos, Argentina, Hong Kong e Austrália
os
brasileiros predominam com 98,9%
dentro
do Brasil destaque para o Rio Grande do Sul
40,2%
são pelotenses
Depois
destaques para as cidades de Guaporé, Rio Grande, Porto Alegre e Nova Prata. Dentro
do Brasil aparecem como os estados que mais interagem: Rio Grande do Sul, São
Paulo,Pará, Santa Catarina, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Minhas Gerais e
Paraná.
-
Cibele Fernandes
Instagram: @ele.fante.histórias
Como começou a sua relação com a literatura?
Olá. Minha relação com a literatura começou depois que me tornei adulta,quando fui trabalhar como vendedora em uma livraria. Tenho 32 anos , logo, quando era criança, não havia tantos estímulos externos sobre ler, ou pelo menos não chegavam a mim. Sou de uma família pobre, nunca me faltou nada, mas com certeza , o acesso a esses materiais não era prioridade.O acesso aos livros acontecia através da escola, naquele sistema de ir à biblioteca durante a semana, mas conforme fui crescendo e as leituras não eram mais “obrigatórias" e os livros não me despertavam desejo. Meu encontro de verdade com a literatura, aconteceu quando fui trabalhar na livraria, no setor infanto juvenil e foi lá que compreendi o mundo incrível que existia, e amava observar as ilustrações, os textos, entender quem eram escritores e as até as pessoas que iam até a livraria me interessavam.
Porque decidiu criar conteúdo digital para compartilhar seus conhecimentos ?Há quanto tempo produz esse tipo de conteúdo?
A criação de um espaço virtual se iniciou em 2015. Quando eu e Carlos, meu irmão de vida ,de histórias e parceiro da Elefante Colorido, decidimos fazer alguns vídeos contando histórias no youtube, nossa ideia era de divulgar nosso trabalho e assim conseguir retorn para nosso trabalho presencial.
Quais eram os objetivos iniciais de postagem? Eles se alteraram com o tempo ? Quais são as metas a longo prazo? O que funciona e o que não funciona ?
As postagem tinham como objetivo conversar com público que se interessasse pelo assunto - literatura infantil e contação de histórias. Nosso foco migrou de plataforma e foi para instagram e posso dizer que não tenho números significativos por lá, mas que a plataforma serve como um grande ambiente de divulgação, esse era o objetivo desde o início e continua o mesmo. Quando pensamos em metas, preciso destacar que não trabalhamos exclusivamente com contação, e que essa é uma realidade da grande maioria dos contadores e eu preciso informar sobre isso. Eu e Cadu somos formados em Teatro, atuamos com professores, fazemos lives para escolas, eventos, editores. Inclusive, atualmente, estamos em cidades diferentes, e eu gerencio de forma mais efetiva o insta. Posso destacar que os conteúdos postados como dicas de livros, poesias, brincadeiras tem um retorno mais ativo, e vídeos curtos e divertidos garantem retorno. As lives de histórias são incríveis para conhecermos autores,ilustradores e futuros clientes. Devo pontuar aqui, que nunca trabalhamos exclusivamente com contação, sempre tivemos alinhados com outros jobs com retorno financeiro , para que pudéssemos continuar a fazer o que amamos.
Quais os métodos já sabias e quais precisou aprender para conseguir utilizar a plataforma na qual faz as postagens ? Com que frequência realiza os posts ? Acredita que isso interfere ou beneficia para alcançar os objetivos ?
O mundo virtual exige muito foco e alimentação contínua para que se mantenha , e disso nós já sabíamos, tentamos de início nos alinhar com essa demanda, mas confesso que não é algo natural para nós. Já fiz cursos, vejo vídeos sobre como postar ,que horas, qual o melhor conteúdo. Mas trabalhamos de forma orgânica, não sistemática e isso funciona melhor para nós. Os dois últimos meses foram mais conturbados, logo não mantemos uma frequência.Mas anterior a isso, estava trabalhando com publicação de dicas de livros, reels, e vídeos. A proposta é manter três publicações por semana + uma live de histórias e storys.
Tem público alvo ? Sabe estatisticamente qual público atinge ?
Nosso público alvo são as escolas, que compram nosso trabalho, na sequência os pais das crianças - que são também são o nosso público - pois são eles que mostram nosso material para os pequenos. E dentro desse público, destaco as mulheres.. Mulheres , mães que estão ativas nas redes e veem nosso trabalho como estímulo para os pequenos. Já fiz algumas pesquisas,conversando com famílias para compreender melhor qual a demanda que eles tinham em relação à literatura ou quais as contribuições do nosso trabalho.
-
Aliana Cardoso
Instagram: @escrevendopedros
Como
começou a tua relação com a literatura?
Eu não fui uma criança leitora, principalmente pela falta de
acesso (fui criança nas décadas de 1980/90). Na adolescência e no início da
vida adulta eu lia por obrigação (vestibular, depois faculdade, depois trabalho)
e, mais tarde, pouco antes de me tornar mãe, passei a ler por prazer. A literatura destinada às infâncias entrou na minha vida
quando eu atuava como professora na sala de aula da Educação Básica (adorava
incluir histórias nas minhas aulas); mas tomou forma mesmo, essa de ler sem
pretexto, de ler só porque é bom, quando passei a ler para o meu filho desde
que ele era bebê.
Por que
decidiu criar conteúdo digital para compartilhar teus conhecimentos?
Quando eu passei a escrever para crianças, quando fiz um
projeto de escrever literatura para os pequenos, eu o fiz porque tenho noção da
potencialidade da literatura para a formação de seres humanos melhores do que
nós fomos e somos. Não sou defensora da leitura como instrumento (para),
somente. Mas sei que as histórias, os livros e tudo o que eles proporcionam,
entrega às crianças um sem fim de possibilidades de ser e estar no mundo, de
entender a si e aos outros, de significar, re-significar, pensar, destruir,
construir, agir. E os adultos precisam também pensar sobre isso. Decidi, então,
que mais do que falar sobre a literatura que eu escrevo, meu conteúdo também
problematizaria o uso e as potencialidades da literatura infantil
contemporânea.
Há
quanto tempo produz este tipo de conteúdo?
O projeto @escrevendopedros completa um ano em agosto de
2022.
Quais eram os objetivos iniciais com as postagens? Eles se
alteraram com o tempo? Quais são as metas em longo prazo?
Os objetivos continuam os mesmos: possibilitar a reflexão sobre a literatura para as infâncias
e suas potencialidades; promover obras cujas temáticas/composição se alinham à
literatura que eu produzo, ou seja, que possibilita o pensamento para a
desconstrução do mundo como ele é e a construção de um mundo melhor para todos
nós; divulgar editoras alinhadas com à literatura que eu acredito
e produzo; compartilhar meus textos e meus livros.
O que
funciona e o que não funciona?
Acredito que, quando o conteúdo chega até as pessoas, ele
atende aos objetivos a que me proponho com o trabalho (tendo como base os
feedbacks que recebo). A maior dificuldade está em fazê-lo chegar. Procuro
diversificar a forma do conteúdo; organizar as postagens para que tenham
coerência e frequência; caprichar nas performances, ou seja, dançar a música
que o instagram toca. Contudo percebo que o assunto não “vende” tanto quanto é
a sua importância.
Quais
métodos já sabias e quais precisou aprender para conseguir utilizar a
plataforma na qual faz as postagens?
Fora escrever, tive que aprender tudo (e sigo aprendendo).
Desde a elaboração de card’s, gravação e edição de vídeos, me acostumar com
lives, com a exposição na tela. Tudo foi e é muito novo.
Com que
frequência realiza os posts? Acredita que isso interfere ou beneficia para
alcançar os objetivos?
Eu publico diariamente, de forma variada. Card’s no feed,
vídeos curtos, vídeos mais longos, vídeos com conteúdo sério, vídeos para
descontrair, presença nos stories. Acredito que isso beneficia o meu alcance
pois quem é meu seguidor sabe que tem conteúdo todo dia, mesmo que de uma forma
mais leve, sempre tem conteúdo.
Tem
publico alvo? Sabe estatisticamente qual público atinge?
Meu público alvo são famílias e profissionais que trabalham
com crianças. Estatisticamente eles são a esmagadora maioria dos meus
seguidores (cerca de 80% são homens e mulheres entre 25 e 44 anos).