segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Bolacha Maria


A mãe foi buscar o Andrei na escola, no caminho ela fez aquelas perguntas que todas as mães fazem. Como foi na escola hoje? O que tu fizestes? O que tu comestes? ... E por ai vai.

O Andrei respondeu as perguntas da mamãe e quando foi falar sobre o lanche da tarde, comentou que comeu bolacha.

A mamãe perguntou:

- Qual bolacha? Bolacha Maria?

O Andrei começou a rir e respondeu:

- Que engraçado! Podia existir a bolacha mano também .. né mamãe?

E agora tu podes te perguntar? Como assim, bolacha mano?

É que o Andrei tem um mano e a namorada do mano dele se chama Maria.


Fada Moderna - Estefânia Konrad

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Diário de bordo aliado a prática docente

Por: Estefânia Alves Konrad

A seguir apresento o diário de bordo (na íntegra) produzido por Valdoir Campelo, durante o pré estágio do curso de graduação em Pedagogia da Universidade Federal de Pelotas no primeiro semestre do ano de 2021. É importante destacar que toda a documentação aconteceu de forma remota, em decorrência da Covid-19. A escrita foi um dos componentes avaliativos da disciplina e esta foi a versão encaminhada para as professoras orientadoras do pré estágio.


O Diário de Pré Estágio – EAD na EJA

Valdoir Campelo

Por meio do movimento que se formou entre os estudantes do curso de Pedagogia noturno e diurno, organizando reuniões atas e uma participação ativa entre as reuniões de departamento de ensino e colaboração das professoras orientadoras. No ano de 2021 o departamento de educação e a FaE (faculdade de educação) da UFPEL, concederam que a turma de 2016/1 e 2016/2, obtivessem liberação para planejarem e executarem o processo de Pré Estágio. Sendo assim ficou decidido que estudantes do oitavo semestre diurno e noturno poderiam realizar seu Pré Estágio, classificando-os como os (as) primeiros (as) estudantes da história da Pedagogia da UFPEL a realizarem estágios de forma remota em meio à uma pandemia.

         Nesse diário buscarei trazer questões pontuais da vivência como estudante em pré estágio no sistema remoto nas classes de EJA.

Angústias na procura por escolas.

         Após ás matrículas serem confirmadas e as turmas estarem organizadas deu-se o processo de busca de escolas para a realização do pré estágio nas turmas de alfabetização em EJA, podendo os estudantes realizarem os pré estágios nas suas cidades apesar da grande maioria habitarem na cidade de Pelotas, os demais poderiam realizar em suas cidades onde moram. Podendo então procurar por essas classes, em escolas municipais e estaduais, foi então que ao procurar por classes de alfabetização na EJA em escolas estaduais que descobriu-se os estado optou por não liberar essa primeira etapa para essas escolas e deixando para as escolas municipais ofertarem essas classes. Porém nem todas as cidades possuem estruturas pedagógica para ofertarem mais turmas como já estruturadas antes da pandemia. Como uma das primeiras barreiras se tornando a não oferta dessas classes pelo Estado e a falta de estruturam de algumas escolas municipais, a procura começou a se restringir à escolas entorno da cidade de Pelotas.

         Com a lista em mãos, a procura começou apenas pelas escolas municipais pela cidade de Pelotas, Morro Redondo e Capão do Leão. Em meio a essa procura a turma em um grupo de WhatsApp, começaram a criar uma nova lista onde ficariam compreendido as escola municipais que não ofertariam a primeira etapa de EJA ou não estariam aceitando estagiários(as). Com essa lista crescendo a cada vez que se aumentava a procura, também aumentavam as angústias, pois havia um prazo para que todos (as) estudantes tivesse uma escola já confirmada. Mas o que prevalecia no grupo era uma vontade imensa de ajudar e colaborar para que todo o grupo conseguisse essas escolas, quem já tinha escola continuava a procura por meio de ligações ou emails para outras escolas na intenção de ajudar. Também contou-se com a enorme ajuda da nossa orientadora Professora Heloisa Duval que não só corria com a parte burocrática como com seus áudio sempre positivo colocando toda a turma para cima.

A Escola

         Após tantas escolas falarem não, uma escola na cidade de Capão do LeãoRio Grande do Sul, mais precisamente no Jardim América. Nos acolheu, porém ainda dependendo da resposta da SMECD (Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto). Tendo o retorno deles poderíamos da início as observações. Com as negociações entre a Escola a Orientadora e SMECD, puderam chegar ao acordo que liberariam para estágio a partir do momento que toda a documentação estivesse pronta, com esses documentos já finalizados e entregues, a escola está garantida e confirmada nossa presença como observação para o Pré estagio de Docência.

          A Escola Elberto Madruga é uma escola de educação infantil e ensino fundamental I e II, atendendo aos três turnos.  A escola atende cerca de 42 turmas entre os três turnos.

Mais informações https://www.escol.as/244220-prefeito-elberto-madruga

Os primeiros contatos com a Escola

Para os primeiros contatos com foi criado um grupo no WhatsApp, onde estão como participantes, os Pré estagiários, à orientadora, o Diretor e a Professora titular da turma.

O pré estágio a princípio está marcado para o início de Maio de 2021. Já pensando em me aproximar da turma e da escola no dia 19 de Abril, fui de encontro a alguns contatos que me levaram a professora titular da turma. Buscando conhecer a professora, sua maneira de trabalho. No primeiro contato com a professora, comecei me apresentando e falando a ela se o diretor da escola havia comentado sobre a futura parceria e sobre o meu desejo de realizar meu pré estágio em EJA. Foi então que ela me disse que não havia sido informada de nada sobre o assunto.  Ao saber a qual o diretor não teria comentado nada, me deixou seriamente preocupado, felicidade a minha quando no decorrer da conversa a professora se mostrou muito solicita a ajudar. E me confirmando que ela teria as turmas de primeira etapa da EJA que correspondem do 1° ano ao 5° ano do ensino fundamental. Por enquanto no momento estamos aguardando ao dia 1° de Maio quando será a data de liberação para começarmos as observações e a preparação para o próximo semestre.

A reunião

Quinta – Feira dia 29 de Abril, foi realizado uma reunião onde esteve presente a Coordenadora da EJA – Dina , Professora Titular – Cleonir, Professora Orientadora – Heloisa e os Pré Estagiários Claudia e Valdoir.

Nesta reunião fomos muito bem recebidos e acolhidos, tanto pela Coordenadora quanto pela Professora titular. Também puderam esclarecer o modo de trabalho realizado com as turmas de EJA durante esse momento de pandemia onde o ensino é praticamente todo remoto. Pudemos ficar a par da situação em que se encontra as atividades, tendo acesso ao material com os códigos da BNCC organizado pelas professoras de EJA, junto com os planos de ensino e com a folha de chamada, a Coordenadora informou á nós que as atividades e os planos de ensino são enviados a cada quinze dias, sendo sempre na segunda – feira ou na terça caso segunda – feira seja feriado . Ficou concordado então que nós Pré Estagiários, iríamos  realizar os planos de aula e de ensino para o dia 04 de Maio.

Os  Primeiros Planos de Aula

 Quando fomos fazer o nosso primeiro plano de aula, notamos que a Professora Titular não havia nos deixado a par de que ponto ela havia parado para darmos continuidade. Foi então que perguntamos nos grupo, como a professora nesse momento não se encontrava online. A Coordenadora nos lançou uma proposta de analisarmos todas as atividades já postadas no grupo da escola e a partir daí prepararmos uma revisão para os estudantes, que até então a SMECD estava solicitando para aqueles que ainda não estaria em contato antes poderia retomar as atividades propostas anteriormente.

Ao começarmos a realizar os planos de atividades Claudia acabou por ficar com – Português T1, T2 e T3 e História T1, T2 e T3. E eu fiquei com – Matemática T1, T2 e T3 e Ciências T1, T2 e T3.

Até o momento antes de planejarmos haviam sido 4 postagens de cada totalidade sendo nos dias 1 e 16 de Março e 05 e 19 de Abril. Já que fomos fazer uma revisão dos conteúdos já apresentados, fui olhar e ler um a um para poder então fazer um apanhado. E notei que algumas atividades se encontram em compassos diferentes sem uma sequência lógica. Pensado no que foi analisado podemos a partir desse ponto começar reestruturar uma sequência de atividades. Acredito que isso não tenha sido intencional, porque a professora titular havia me ligado e comentou que antes da Pandemia ela trabalhava apenas com as totalidades 4 e 5. E que com o ensino remoto a Professora que trabalhava com as totalidades 1, 2 e 3 acabou sendo designada para outra escola, ficando a atual Professora assumindo as 5 totalidades.

Pós Primeiras atividades

         Após o a entrega dos materiais, a Professora titular corrigiu as atividades nos dando um retorno. Com o retorno descobrimos que também faríamos as postagens no grupo do Faceboock onde é estritamente direcionado a esses estudantes.

Com as atividades postadas, partimos para a segunda etapa, onde deveríamos entregar uma devolutiva em formato de planos de aula e o preenchimento do diário de classe que se encontra no verso da chamada, identificando as atividades e conteúdos realizados na quinzena apresentada. Para que a escola entregue para a SMECD ao final do semestre ou quando solicitado pela mesma. Durante essa escrita no preenchimento das atividades, houve um pouco de desentendimento quanto aos nomes dos documentos. Que foi esclarecido quando a professora titular enviou uma de suas devolutivas, podendo assim esclarecer os pontos que estavam se desencontrando.

Segundo Plano de Aula

No dia 17 de Abril foram postadas as atividades da segunda quinzena do mês de abril. Planos esses que foram nossos segundo planejamento em para as turmas de Totalidades 1, 2 e 3 da EJA.  Nas primeiras atividades, acabamos por realizarmos revisões das atividades realizadas anteriormente, essas atividades colaboraram para que pudéssemos estar mais a par do nível em que está sendo trabalhado pela professora titular.

Para essas atividades, a professora disponibilizou áreas de conteúdos respectivos a cada disciplina. Colaborando assim para o desenvolvimento das atividades nas atividades da segunda quinzena do mês de abril.

Percepção com relação a coordenação

Pudemos perceber que a coordenação se pôs distante as atividades após a entrega da primeira semana, voltando a entrar em contato apenas um dia antes da entrega da segunda semana de atividades. O que deixou a ser notado certa confiança aos estagiários e ao mesmo tempo deixando claro uma carga de responsabilidade á estagiários.

Terceiro Planejamento 31/05/2021

Nesse planejamento percebemos que alguns conteúdos se tornava inviável neste modelo de ensino, lembrando que as atividades no modelo atual em que os estudantes recebem as atividades com impressões. Entre outras dificuldades encontramos a redução de material como tinta para impressão e folhas A4. Nesta entrega de atividades, foram enviados à professora e a coordenação as atividades, chamadas (diários de classe) e planos de ensino.

Devolutivas

Segundo a coordenação da escola, quando os estudantes devolvem as atividades respondidas, esses materiais são postos em sacos plásticos e tem que ficar por lá no mínimo de 15 dias. Porém a coordenadora só vai a escola uma vez por mês para fazer as impressões. Como a professora titular e a coordenadora são do grupo de risco, ficam isentas de comparecerem presencialmente na escola.

Essas questões acabam por dificultar o trabalho de planejamento, não tendo como saber qual nível de dificuldade em que se encontram estes e estas estudantes.

QUARTO PLANEJAMENTO 14/06/2021

Antes de começar a planejar as atividades, para a segunda quinzena de Junho, tivemos retorno da mãe de um estudante. Onde ela informou que as atividades estavam muito difíceis. Pensando nisso, nas horas de planejar essas atividades, optei por não revisar já que as revisões ficarão para a primeira quinzena de julho uma vez que as aulas encerraram dia 16 de julho.

Sendo assim trouxe para as atividades, um reforço nas atividades de matemática nas três totalidades. Busquei nessa semana trazer a questão ambiental nas atividades de ciências.

ALGUMAS PERCEPÇÕES

Notei pessoalmente que os retornos da coordenação e da professora titular com nós em relação às atividades foi diminuindo a cada quinzena entregue de atividades. Olhando por um lado essa questão de cobrança pode ter diminuído com a confiança e qualidade de matérias entregues.

QUINTO PLANEJAMENTO 28/06/2021

No quinto planejamento e ultimo do primeiro semestre o qual tem encerramento no dia 16 de Julho de 2021. Esse planejamento tem como base uma revisão, onde englobou o conteúdo trabalhado durante as aulas remotas.

No dia 23 de julho houve uma reunião onde estavam presentes a senhora Dina coordenadora da escola, Cleonir a Professora titular, pré estagiária Claudia e pré estagiário Valdoir. A reunião teve o intuito de discutir sobre o cancelamento de estudante que não buscaram nem retornaram com as atividades, outro ponto de pauta foi a apresentação de uma nova atividade, os conceitos de cada aluno das turmas de EJA que se destinou a realização pelos Pré Estagiários, uma vez que os mesmos realizaram as atividades durante o semestre.

Após a reunião, a coordenadora enviou para nós alguns modelos de conceitos para que pudéssemos ter um ponto de partida.

Entrando em contato com os estudantes via ligação/whatsapp

Na totalidade 1, 2 e 3, tem um total de 6 alunos. Dessa forma dividindo os contatos entre os dois pré estagiário.

Com os contatos que fiquei, nenhum deles obtive retorno. Esse contato foi feito por ligação e via whatsapp.

A Dupla

O Pré Estágio de Docência a assim como o Estágio de Regência ou Estágio Final, pode ser realizado em formato individual assim bem como em dupla. Podendo ser realizado em trios se a situação de ofertas em escolas para estágio forem generosas. Neste momento em especial o estágio será realizado em dupla. Essa dupla se formou após a oferta de estágios diminuírem, em uma das disciplinas do 8° semestre que acompanha as disciplinas de pré estágio é a PTFC - Preparação para Trabalho Final de Curso. Geralmente essa disciplina caminha junto ás outras, porém na situação atual deu-se em tempos diferentes, fazendo com que essa disciplina tenha sido ofertada antes das demais. Sendo assim cada um dos estagiários e estagiárias dessa dupla preparou um pré projeto.

Claudia – O que facilita o aprendizado do aluno da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Valdoir - A Fotografia e o Tempo – Diário para Recordar

Alfabetização coletiva.

Avaliação dos contextos

Durante a pandemia pudemos perceber que ainda há professores e professoras perdidas quanto a tecnologia e sobre o excesso de trabalho, quanto a planejamentos e entrega de materiais. Sinto que quando entramos como estagiários, tanto a coordenação quanto a professora titular acabaram por enxergar em nós um gás para que possam ajudar e auxiliar nas atividades escolares e em uma maneira de cativar e resgatar os estudantes que andam sumidos. Até certo ponto esse é nosso trabalho para além de observar. A questão é que em alguns momentos vou percebendo que acabam por jogarem muita responsabilidade, quando ainda estamos no pré estágio.

Acredito que isso possa estar acontecendo devido á grande carga horária em que se encontram.

Chegando ao final do semestre é possível olhar para tudo que houve durante as pesquisas e formulações de atividades. E fazer um processo reflexivo e observar os pontos negativos e positivos que caminharam junto com o decorrer das quinzenas em que eram realizadas as atividades, preenchendo os planos de ensino e os diários de classe (chamadas).

Uma das questões que se tornaram pertinentes durante as formulações das atividades, foi a falta de conteúdo. O que por um outro lado, fez com que os pré estagiários desenvolvessem atividades com uma relação mais contextual com o município onde estão localizados (as) esses estudantes, ou seja, pararam para ter um olhar mais aproximado para a comunidade.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Pesquisa sobre a disseminação da literatura no Instagram

Por: Estefânia Alves Konrad

Entrei em contato com @capradelivros@ele.fante.histórias e @escrevendopedros, via direct do Instagram e encaminhei as seguintes perguntas: 

"Como começou a tua relação com a literatura?; Por que decidiu criar conteúdo digital para compartilhar teus conhecimentos?; Há quanto tempo produz este tipo de conteúdo?; Quais eram os objetivos iniciais com as postagens?; Eles se alteraram com o tempo?; Quais são as metas em longo prazo?; O que funciona e o que não funciona?; Quais métodos já sabias e quais precisou aprender para conseguir utilizar a plataforma na qual faz as postagens?; Com que frequência realiza os posts?; Acredita que isso interfere ou beneficia para alcançar os objetivos?; Tem publico alvo?; Sabe estatisticamente qual público atinge?”.

Leonardo Capra 

Instagram: @capradelivros 


Como começou a tua relação com a literatura?

Minha relação com a literatura começou cedo, quando frequentava o ensino fundamental, mas não foi por intermédio da escola, mas sim, pelo gibis da Turma da Mônica que meu primos traziam de São Paulo. Era assim: aqueles que eles não gostavam mais ele levavam para o Rio Grande do Sul, eu que vivia na roça com meus pais, aproveitava demais as histórias em quadrinhos, já que não tinha livros e adorava ler.

Meu primeiro livro que me apaixonei foi "Por um simples pedaço de cerâmica" da Linda Sue Park, depois dele me tornei um leitor constante tive uma professora de Literatura que me incentivou a ler os clássicos brasileiros, me indicado livros conforme eu ia gostando ou desgostando das leituras anteriores depois troquei de escola, na escola técnica, em 2013 cursei apenas o técnico porque já tinha feito o médio na outra escola, e no turno da manhã fui responsável pela biblioteca da escola, que na época não tinha ninguém para lá estar, eu mesmo me ofereci. Foi uma experiência incrível, conheci muitos livros enquanto os organizava, conheci gêneros novos e também leitores que tinha gostos diferentes dos meus, achei estranho, aprendi bastante. Minha relação com a literatura fortificou quando conheci a professora Cristina Maria Rosa, professora universitária do curso de Pedagogia, o qual cursei de 2015 até 2019. Ela apresentava títulos, autores, gêneros, maneiras de ler, estratégias de leitura, espaços literários e assim fui ampliando meu repertório literário e consequentemente meu acervo.

Agora que sou professor municipal e tenho uma renda física, invisto mensalmente na compra de obras, para mim e para meus alunos. Ampliei meu vocabulário, percorri linguagens diferentes e leio semanalmente para os pequenos. Posso afirmar que neste momento a Literatura faz parte de todos os meus dias, direta e indiretamente.

Outro destaque importante é quando pequeno, eu e minha prima, dois anos mais novos, brincávamos que seríamos apresentadores do Globo Rural, por isso juntávamos as revistas da casa da minha avó paterna, escolhíamos reportagens que achávamos interessantes, fazíamos a leitura silenciosa e depois brincávamos de apresentadores lendo as reportagens em voz alta. Foram momentos divertidos, nos quais utilizávamos da leitura como forma de brincadeira.

Por que decidiu criar conteúdo digital para compartilhar teus conhecimentos?

Decidi criar conteúdo digital literário para firmar um compromisso como leitor, primeiro comigo mesmo, afim de criar constância na leitura literária e depois para compartilhar. Importante salientar que primeiro o compromisso foi comigo, pois ao contrario de muitos influenciadores digitais eu consumo o produto que recomendo. O artefato cultural livro é lido, analisado, resenhado, fotografado/filmado e só depois é compartilhado com "seguidores". Quando tu ofereces um produto tu é responsável por ele, por isso não é qualquer coisa que serve, é necessário estudo, método, estratégia e compromisso com quem te assiste.

E, quando o conteúdo é exposto ele reverbera, algumas pessoas sentem-se a vontade para também indicar livros, como uma forma de troca, outros reclamam da obra, elogiam o livro, dizem que querem muito ler este ou aquele. O que quero dizer: um livro indicado gera uma reação, de naturezas diversas, e é responsabilidade do criador de conteúdo lidar com seu seguidor, seja para orientá-lo, acalmá-lo ou aconselhá-lo a abortar a missão em alguns casos.

Há quanto tempo produz este tipo de conteúdo?

Comecei a produzir o conteúdo literário digital no dia 26 de julho de 2020, a primeira obra indicada foi "A história mais triste do mundo" de Mário Corso.

De lá para cá, firmei um pacto com os leitores/espectadores: indicar todo domingo às 13 horas um livro.

Geralmente uma foto da capa da obra, acompanhada com uma resenha opinativa, alguns critérios específicos de cada livro e uma frase marcante da obra.

Quando a indicação é feita através de vídeo (IGTV ou REELS) o conteúdo do vídeo vem munido de legenda, para que todos os telespectadores possam acessar o conteúdo ali encontrado, já que entre os seguidores que acompanham o canal, estão pessoas que não escutam.

Quais eram os objetivos iniciais com as postagens?

Os objetivos eram: ler mais e melhor, oferecer literatura de qualidade para pessoas que não tem conhecimento da área, compartilhar e compartilhar emoções e dores advindos dos livros, qualificar literariamente crianças, professores e adultos que estão na rede social Instagram, debater literatura.

Eles se alteraram com o tempo?

Não e sim, na verdade eles se ampliaram devido as necessidades que meu público demandava. Por isso, por exemplo, tive de explorar gêneros e temas que inicialmente não tinha pensado.

Um curso sobre as obras de Machado de Assis, foi uma das coisas que inicialmente não esperava fazer, e agora já feito achei uma delícia.

Conheci mangás, um gênero muito bem quisto entre o universo geek

Também acompanhei filmes que foram produzidos em decorrência dos livros indicados para qualificar as colocações na rede social e convencer meu público ou não a ler.

Importante dizer que a ampliação dos objetivos foi natural, quase imperceptível, em decorrência das trocas literárias intensas que acontecem online.

Quais são as metas em longo prazo?

Ler pro prazer, indicar com responsabilidade e conhecer mais leitores, opiniões, leituras e pontos de vista.

Manter e ampliar a qualidade da forma de entregar as postagens aos leitores/espectadores

O que funciona e o que não funciona?

A interatividade funciona bastante. Enquetes nos stories funcionam muito: tu planta a dúvida na cabeça do leitor, que não conhece o livro, faz mais perguntas, instiga, instiga, instiga e indica o livro.  Nunca entregar toda a história, ler um pedaço, contar uma parte, fazer perguntas, isso funciona!

Ser gentil funciona também, sempre responder. As vezes tu recebe um comentário que não é o que tu estava esperando, mas era o que o seguidor estava sentindo. E a conversa funciona.

O que não funciona é não ser pontual, o próprio Instagram te boicota se tu não és pontual.

O que é boicote do Instagram? Eu explico: ele tira o engajamento da tua rede social quando tu posta em outros horários fora da rotina, ou quando tu não posta. Ou seja, ele não entrega a postagem para os seguidores, assim quem aguarda teu conteúdo acaba não recebendo.

Por isso é importante cumprir com o compromisso firmado, palavra dada tem que ser palavra cumprida.

Quais métodos já sabias e quais precisou aprender para conseguir utilizar a plataforma na qual faz as postagens?

eu sabia ler, sabia falar, e sabia conversar

tive que aprender a postar, decorar, fotografar, gravar, editar.

Aprendi a escrever resenhas mais diretas e instigantes. Muitas das coisas que citei nesta resposta dão bastante trabalho, então ser mais paciente também foi um método que tive de aprender.

Com que frequência realiza os posts?

Semanalmente, aos domingos ás 13 horas da tarde.

E nos stories do Instagram, instigo meus leitores no mínimo duas vezes por semana. Com perguntas sobre obras e leituras já indicadas anteriormente

Acredita que isso interfere ou beneficia para alcançar os objetivos?

Não sei responder esta pergunta, sempre tenho em mente que este meu compromisso não pode demandar um tempo maior do que eu possa oferecer. Sou professor da rede municipal e mestrando e por isso as coisas precisam ser bastante organizadas. Tenho atingido boa parte dos meus objetivos com o Capradelivros e como tudo flui, vou adaptando as coisas conforme as necessidades dos leitores que me assistem, da rede social e as minhas também. Não sei se respondi a pergunta.

Tem publico alvo?

Meu público alvo são os humanos.

O conteúdo é diversificado, tem literatura infantil e juvenil para as crianças que acompanham o canal, para os professores que buscam por indicações literárias, para pais-mães-familiares que querem ler para os pequenos, assim busco sempre indicar mensalmente dois livros do gênero mencionado.

Só que: a grande parte dos seguidores são adultos que buscam literatura adulta, por isso os outros dois domingos são destinados para publicações adultas.

Homens são predominantes entre os seguidores

Mulheres interagem mais

Tem muita coisa no Capradelivros, são cerca de 52 postagens feitas neste intervalo de um ano do começo.

Acho que tem pelo menos um livro que chamou atenção de cada seguidor/leitor, falando aqui de literatura, é claro.

Sabe estatisticamente qual público atinge?

56,5% são homens

43,5% mulheres

46,2% são jovens de 18 a 24 anos

39% tem entre 25 a 34 anos

são seguidores do Brasil, Estados Unidos, Argentina, Hong Kong e Austrália

os brasileiros predominam com 98,9%

dentro do Brasil destaque para o Rio Grande do Sul

40,2% são pelotenses

Depois destaques para as cidades de Guaporé, Rio Grande, Porto Alegre e Nova Prata. Dentro do Brasil aparecem como os estados que mais interagem: Rio Grande do Sul, São Paulo,Pará, Santa Catarina, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Minhas Gerais e Paraná.

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Cibele Fernandes

Instagram: @ele.fante.histórias



Como começou a sua relação com a literatura?

Olá. Minha relação com a literatura começou depois que me tornei adulta,quando fui trabalhar como vendedora em uma livraria. Tenho 32 anos , logo, quando era criança, não havia tantos estímulos externos sobre ler, ou pelo menos não chegavam a mim. Sou de uma família pobre, nunca me faltou nada, mas com certeza , o acesso a esses materiais não era prioridade.O acesso aos livros acontecia através da escola, naquele sistema de ir à biblioteca durante a semana, mas conforme fui crescendo e as leituras não eram mais “obrigatórias" e os livros não me despertavam desejo. Meu encontro de verdade com a literatura, aconteceu quando fui trabalhar na livraria, no setor infanto juvenil e foi lá que compreendi o mundo incrível que existia, e amava observar as ilustrações, os textos, entender quem eram escritores e as até as pessoas que iam até a livraria me interessavam.

Porque decidiu criar conteúdo digital para compartilhar seus conhecimentos ?Há quanto tempo produz esse tipo de conteúdo?

A criação de um espaço virtual se iniciou em 2015. Quando eu e Carlos, meu irmão de vida ,de histórias e parceiro da Elefante Colorido, decidimos fazer alguns vídeos contando histórias no youtube, nossa ideia era de divulgar nosso trabalho e assim conseguir retorn para nosso trabalho presencial.

Quais eram os objetivos iniciais de postagem? Eles se alteraram com o tempo ? Quais são as metas a longo prazo? O que funciona e o que não funciona ?

As postagem tinham como objetivo conversar com público que se interessasse pelo assunto - literatura infantil e contação de histórias. Nosso foco migrou de plataforma e foi para instagram e posso dizer que não tenho números significativos por lá, mas que a plataforma serve como um grande ambiente de divulgação, esse era o objetivo desde o início e continua o mesmo. Quando pensamos em metas, preciso destacar que não trabalhamos exclusivamente com contação, e que essa é uma realidade da grande maioria dos contadores e eu preciso informar sobre isso. Eu e Cadu somos formados em Teatro, atuamos com professores, fazemos lives para escolas, eventos, editores. Inclusive, atualmente, estamos em cidades diferentes, e eu gerencio de forma mais efetiva o insta. Posso destacar que os conteúdos postados como dicas de livros, poesias, brincadeiras tem um retorno mais ativo, e vídeos curtos e divertidos garantem retorno. As lives de histórias são incríveis para conhecermos autores,ilustradores e futuros clientes. Devo pontuar aqui, que nunca trabalhamos exclusivamente com contação, sempre tivemos alinhados com outros jobs com retorno financeiro , para que pudéssemos continuar a fazer o que amamos.

Quais os métodos já sabias e quais precisou aprender para conseguir utilizar a plataforma na qual faz as postagens ? Com que frequência realiza os posts ? Acredita que isso interfere ou beneficia para alcançar os objetivos ?

O mundo virtual exige muito foco e alimentação contínua para que se mantenha , e disso nós já sabíamos, tentamos de início nos alinhar com essa demanda, mas confesso que não é algo natural para nós. Já fiz cursos, vejo vídeos sobre como postar ,que horas, qual o melhor conteúdo. Mas trabalhamos de forma orgânica, não sistemática e isso funciona melhor para nós. Os dois últimos meses foram mais conturbados, logo não mantemos uma frequência.Mas anterior a isso, estava trabalhando com publicação de dicas de livros, reels, e vídeos. A proposta é manter três publicações por semana + uma live de histórias e storys.

Tem público alvo ? Sabe estatisticamente qual público atinge ?

Nosso público alvo são as escolas, que compram nosso trabalho, na sequência os pais das crianças - que são também são o nosso público - pois são eles que mostram nosso material para os pequenos. E dentro desse público, destaco as mulheres.. Mulheres , mães que estão ativas nas redes e veem nosso trabalho como estímulo para os pequenos. Já fiz algumas pesquisas,conversando com famílias para compreender melhor qual a demanda que eles tinham em relação à literatura ou quais as contribuições do nosso trabalho.

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Aliana Cardoso

Instagram: @escrevendopedros


Como começou a tua relação com a literatura?

Eu não fui uma criança leitora, principalmente pela falta de acesso (fui criança nas décadas de 1980/90). Na adolescência e no início da vida adulta eu lia por obrigação (vestibular, depois faculdade, depois trabalho) e, mais tarde, pouco antes de me tornar mãe, passei a ler por prazer. A literatura destinada às infâncias entrou na minha vida quando eu atuava como professora na sala de aula da Educação Básica (adorava incluir histórias nas minhas aulas); mas tomou forma mesmo, essa de ler sem pretexto, de ler só porque é bom, quando passei a ler para o meu filho desde que ele era bebê.

Por que decidiu criar conteúdo digital para compartilhar teus conhecimentos?

Quando eu passei a escrever para crianças, quando fiz um projeto de escrever literatura para os pequenos, eu o fiz porque tenho noção da potencialidade da literatura para a formação de seres humanos melhores do que nós fomos e somos. Não sou defensora da leitura como instrumento (para), somente. Mas sei que as histórias, os livros e tudo o que eles proporcionam, entrega às crianças um sem fim de possibilidades de ser e estar no mundo, de entender a si e aos outros, de significar, re-significar, pensar, destruir, construir, agir. E os adultos precisam também pensar sobre isso. Decidi, então, que mais do que falar sobre a literatura que eu escrevo, meu conteúdo também problematizaria o uso e as potencialidades da literatura infantil contemporânea.

Há quanto tempo produz este tipo de conteúdo?

O projeto @escrevendopedros completa um ano em agosto de 2022.

Quais eram os objetivos iniciais com as postagens? Eles se alteraram com o tempo? Quais são as metas em longo prazo?

Os objetivos continuam os mesmos: possibilitar a reflexão sobre a literatura para as infâncias e suas potencialidades; promover obras cujas temáticas/composição se alinham à literatura que eu produzo, ou seja, que possibilita o pensamento para a desconstrução do mundo como ele é e a construção de um mundo melhor para todos nós; divulgar editoras alinhadas com à literatura que eu acredito e produzo; compartilhar meus textos e meus livros.

O que funciona e o que não funciona?

Acredito que, quando o conteúdo chega até as pessoas, ele atende aos objetivos a que me proponho com o trabalho (tendo como base os feedbacks que recebo). A maior dificuldade está em fazê-lo chegar. Procuro diversificar a forma do conteúdo; organizar as postagens para que tenham coerência e frequência; caprichar nas performances, ou seja, dançar a música que o instagram toca. Contudo percebo que o assunto não “vende” tanto quanto é a sua importância. 

Quais métodos já sabias e quais precisou aprender para conseguir utilizar a plataforma na qual faz as postagens?

Fora escrever, tive que aprender tudo (e sigo aprendendo). Desde a elaboração de card’s, gravação e edição de vídeos, me acostumar com lives, com a exposição na tela. Tudo foi e é muito novo. 

Com que frequência realiza os posts? Acredita que isso interfere ou beneficia para alcançar os objetivos?

Eu publico diariamente, de forma variada. Card’s no feed, vídeos curtos, vídeos mais longos, vídeos com conteúdo sério, vídeos para descontrair, presença nos stories. Acredito que isso beneficia o meu alcance pois quem é meu seguidor sabe que tem conteúdo todo dia, mesmo que de uma forma mais leve, sempre tem conteúdo.

Tem publico alvo? Sabe estatisticamente qual público atinge?

Meu público alvo são famílias e profissionais que trabalham com crianças. Estatisticamente eles são a esmagadora maioria dos meus seguidores (cerca de 80% são homens e mulheres entre 25 e 44 anos).

quarta-feira, 17 de março de 2021

egressa da casa

Conclui a graduação em Pedagogia na Faculdade de Educação da Universidade Federal em 2020.1 (colação de grau em janeiro de 2021). Em fevereiro de 2021, após fazer processo seletivo, ingressei na Especialização em Educação na área: Estudos de Leitura na Escola, Alfabetização Literária e Formação de Professores Leitores (Conclusão prevista para 2022) nesta mesma instituição. Um ciclo encerrado e outro que se inicia ... E assim se dá a formação docente, constante apropriação e aprimoramento dos conhecimentos. 


Aulas particulares



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Oficialmente pedagoga

Sou, mas ainda não estou ... professora!

Estefânia Alves Konrad

Pedagoga já me considero desde que ingressei no curso ... Em meados de março de 2016. Todavia, porém, contudo, entretanto, o fato foi consumado em janeiro de 2021. Quando iniciei, mal sabia, mas começava a trilhar uma das mais belas (o belo quase nunca é fácil) caminhadas do meu destino.

Hoje, após aproximadamente um mês da colação de grau, posso afirmar que sou oficialmente pedagoga. Isso quer dizer que tem um documento certificando minha capacitação para ministrar aulas para crianças, crianças pequenas, crianças bem pequenas e também jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de estudar quando eram pequenos e depois de crescidos optaram por retornar ou começar os estudos.

Ser professora é uma responsabilidade que assumo todos os dias quando olho para o espelho e vejo refletido nele uma mulher que precisou vencer barreiras de todos os tipos para concluir a graduação e hoje ser reconhecida como uma profissional.

Minha trajetória docente só está começando, mas confesso que já pensei “será que sou suficiente?”, “será que essa é a minha vocação?”, “será?, será? ..” e mais vários “serás” diferentes. O mais interessante disso tudo é que na maioria das vezes não tenho respostas para minhas próprias indagações, mas minhas experiências com alunos (que já tive o privilégio de ter), me provam como é gratificante ser professora. E ser grata por essa profissão é combustível para seguir adiante.

Para fazer jus aos profissionais da educação que tive durante todos os níveis educacionais, colocarei uma pitadinha de cada um em minhas práticas.

O ano de 2021 começou, ... Usando uma gíria virtual: A pedagoga Estefânia está online.