sábado, 10 de outubro de 2020

Voluntária BriqueFaE

Por: Estefânia Alves Konrad


Com orgulho, integro como voluntária, desde seu inicio (em 2018), o projeto de extensão BrinqueFaE – Brinquedoteca da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas. De lá pra cá, o projeto vem se tornando, além de um lugar onde o brincar é livre, um espaço formativo para quem participa.

Na pandemia, readaptamos as formas de adquirir saberes, para que quando tudo volte ao normal, possamos estar ainda mais preparados(as) para receber a visita das crianças.

Com isso, os professores que coordenam o projeto de extensão, propuseram uma ação de ensino e desta, surge a escrita a seguir.

ARTIGO SUBMETIDO NO VI CONGRESSO DE ENSINO DE GRADUAÇÃO - VI SIIEPE - UFPEL 2020


BRINQUEDOTECA DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO:

REFLETINDO DE FORMA REMOTA

 

ESTEFÂNIA ALVES KONRAD1;

EDSON PONICK2;

ROGÉRIO COSTA WURDIG3.

 

1Universidade Federal de Pelotas – estefanaikonrad@hotmail.com

2Universidade Federal de Pelotas – edsonponick@gmail.com

3Universidade Federal de Pelotas - rocwurdig@hotmail.com

 

1.    INTRODUÇÃO

No ano de 2020 fomos impossibilitados de realizar de forma presencial o Projeto de Extensão da Brinquedoteca da Faculdade de Educação (BrinqueFaE/UFPel). Contudo, desenvolvemos uma ação de ensino a ele vinculada e intitulada "A brinquedoteca como espaço e tempo lúdico-formativos". Essa ação tem como foco a leitura e o estudo de bibliografia referente à cultura lúdica, às interações das crianças em brinquedotecas e à metodologia de pesquisa com fotografias e audiovisuais.

Assim, neste resumo, abordamos sobre os estudos e debates que são realizados no campo da pesquisa com fotografias e vídeos, estudando metodologias que ajudem na análise do acervo de imagens e vídeos da BrinqueFaE. Também fizeram parte dessa ação a reflexão sobre o conceito de brinquedoteca, visitas virtuais a brinquedotecas localizadas em outros espaços, discussões sobre a importância do brincar, da produção da cultura lúdica e a análise de fotos e vídeos de crianças brincando. Para este último, foram resgatados lembranças e registros fotográficos pessoais de brinquedos e brincadeiras que integraram a infância dos participantes do projeto.

Para embasar teoricamente estes momentos reflexivos, utilizamos RAMALHO; SILVA (2003), que dissertam sobre conceitos de brinquedoteca, apresentam eventos que ocasionaram o desenvolvimento das brinquedotecas pelo mundo, apontam as principais brinquedotecas brasileiras e salientam a importância desse espaço para o desenvolvimento das crianças.

Em relação à cultura lúdica, MONTEIRO; DELGADO (2014) defendem o protagonismo das crianças, entendendo-as como “[...] atores, no sentido de que são participantes ativos na construção de suas culturas” (p. 107). E ainda afirmam a não universalidade da cultura lúdica, uma vez que nem a própria infância é universal, pois se altera de acordo com aspectos religiosos, sociais, políticos, econômicos, de gênero, étnicos, entre outros, sofrendo também influências dos contextos nos quais as crianças estão inseridas.

Uma das metodologias de pesquisa estudadas aborda o uso de fotografias e vídeos com crianças. Em função das visitas à brinquedoteca da FaE, antes da pandemia, acumulamos um vasto acervo de imagens que necessita ser reorganizado, classificado e analisado com o devido cuidado e rigor. Para entender esses procedimentos utilizamos as contribuições de CAPUTO; SANT’ANNA (2020), que destacam três aspectos a serem levados em conta na (re)produção de imagens.

O primeiro diz respeito à propriamente dita produção de imagens, destacando o Consentimento Livre e Esclarecido (CLE) e o Assentimento Livre e Esclarecido (ALE), sendo este, o consentimento e assentimento de todos os envolvidos com a imagem (a criança e seus responsáveis), respeitando os aspectos sociais subjetivos dos mesmos. O segundo aspecto concentra-se na utilização de imagens pré-existentes, que se refere ao uso da imagem como ilustração ou documentação. E o terceiro agrega a produção de imagens para a comunicação dos resultados de investigação. Este último aspecto, segundo os autores, tem pouco reconhecimento acadêmico e consiste em reduzir o registro exclusivamente escrito dos trabalhos científicos por outros tipos de linguagens.

Segundo CAPUTO; SANT’ANNA (2020, p. 312), “todos esses aspectos são fundamentais e informam o cuidado ético [...]”, estando distante de simplesmente “resumir a autorizações e assinaturas em papéis (embora autorizações e assinaturas sejam indispensáveis)”.

A literatura vista nesta ação de ensino agregou conhecimentos que estão diretamente implicados nas ações presenciais futuras na Brinquedoteca da FaE. Por isso foi imprescindível dar continuidade aos estudos sobre a cultura lúdica, bem como metodologia de pesquisa com fotografias e vídeos.

 

2.    METODOLOGIA

Para reunir as informações que sustentassem a argumentação e exposição do projeto de ensino "A brinquedoteca como espaço e tempo lúdico-formativos", optamos pelo método de inventariar os elementos disponíveis, já que para PRADO; MORAIS (2011), os inventários “revelam nossas próprias contradições, limites, inconclusões, incertezas, imprecisões” (p. 146) e, ainda, “resulta[m] em nós uma ampliação da noção de documento: não apenas a materialidade dos acontecimentos, mas também os discursos, as narrativas [...]” (p. 151). Este artifício metodológico permite que seja possível valorizar as colocações orais pertinentes no momento dos encontros, bem como as escritas compartilhadas e ainda as anotações realizadas durante o processo de aprendizagem, fazendo com que nenhuma informação seja desimportante.

Os estudos aconteceram nas plataformas AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem – e Web conferência da UFPel, entre os dias 26 de junho a 9 de setembro de 2020, com 12 encontros (6 síncronos e 6 assíncronos), tendo atividades previamente marcadas nas quartas feiras, entre 9h e 11h, contando com a presença de cinco discentes do Curso de Pedagogia e a mediação dos dois professores pesquisadores e responsáveis pelo projeto. Dentre as estudantes participantes, quatro (curso vespertino) já atuavam no projeto como voluntárias e cursavam o último semestre. Apenas uma delas, a que estava no início do curso (noturno), ainda não tinha conhecimento da proposta da BrinqueFaE.

Segundo PRADO; MORAIS (2011, p.148), “são muitas as provocações quando tomamos como objeto de investigação uma experiência na qual fomos (ou somos) também partícipes, quando elegemos materiais de análise nos quais estamos profundamente implicados”. No entanto, é interessante o exercício de revisitar estudos, anotações, discussões e comentários sejam eles recentes ou não. Esse processo enriquece e fortalece a assimilação das aprendizagens durante e depois do período da pandemia.

 

3.    RESULTADOS E DISCUSSÃO

Durante os estudos, fomos provocadas a refletir como a cultura lúdica se manifesta (ou pode se manifestar) no espaço da brinquedoteca. Essa reflexão desencadeou uma argumentação coerente com o já conhecido sobre o espaço e o que ainda era preciso saber para aprimorar as experiências. Mesmo que existam momentos em que as crianças brincam sozinhas neste espaço, as possibilidades e ofertas sugerem brincadeiras coletivas. Sendo assim, uma das repercussões da cultura lúdica na brinquedoteca é como potencializadora de interações entre os pares.  A esse respeito MONTEIRO; DELGADO (2014) dissertam o seguinte:

 

[...] Por mais indiscutível que seja o fato de a cultura lúdica participar do processo de socialização da criança, é difícil provar que sua contribuição seja essencial, pois dizer que o jogo e a cultura lúdica contribuem para a socialização nada significa, na medida em que se pode dizer o mesmo de todas as experiências da criança. (p. 113).

 

Não se pode afirmar a essencialidade da socialização entre as crianças, porém são inegáveis suas contribuições.

Sobre a particularidade da cultura lúdica, pode-se afirmar, com base em MONTEIRO; DELGADO (2014), que as crianças não apenas vivem o brincar a sua maneira, mas interpretam e reinventam as experiências que antes tiveram com outras pessoas e objetos.

Outra reflexão importante foi sobre o compartilhamento indevido e não autorizado das imagens das crianças nas redes sociais. Esses registros de forma rápida e sem o consentimento das crianças e dos responsáveis é inadequado, desrespeitoso e constrangedor. 

4.    CONCLUSÕES

Apesar de o momento pandêmico ser caótico, o grupo se propôs a aprender como estudar e discutir de forma remota, não se distanciando, em relação à qualidade das discussões, de encontros presenciais. Tanto que um dos desdobramentos foi o interesse das discentes envolvidas em expandir e continuar os estudos com a intenção de lapidar e sistematizar o que já foi refletido, bem como obter novos conhecimentos acerca da temática. Em relação às questões pontuais estudadas nesta ação de Ensino, destaco como principais aprendizagens: a importância do espaço (brinquedoteca) para o desenvolvimento das crianças, a compreensão da não universalidade da cultura lúdica e a pertinência/responsabilidade da ética ao registrar fotograficamente crianças e suas pluralidades.

 

5.    REFERÊNCIAS

CAPUTO, S. G. SANT’ANNA, C. “Sou ekedi Lara de Oxóssi. meu nome sou eu e Oxóssi. Não coloca meu nome sozinho não”: Notas sobre fotografia e ética nas pesquisas com crianças. Rev. Eletrônica Mestr. Educ. Ambient. Rio Grande, Dossiê temático “Imagens: resistências e criações cotidianas”, E-ISSN 1517-1256, p.307-326, 2020.

 

MONTEIRO, C. M. V. R. DELGADO, A. C. C. Crianças, brincar, culturas da infância e cultura lúdica: uma análise dos estudos da infância. Saber & Educar 19, Pelotas, Educação e trabalho social, p.106-115, 2014.

 

PRADO, G. V. T. MORAIS, J. F. S. Inventário – Organizando os achados de uma pesquisa. EntreVer, Florianópolis, v. 01, n.01, p. 137-154, 2011.

 

RAMALHO, M. R. B. SILVA, C. C. M. A brinquedoteca. Revista ACB, Florianópolis, v. 8, n. 1, 2003.


VÍDEO DE APRESENTAÇÃO DO ARTIGO

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