Por: Estefânia Alves Konrad
Com
orgulho, integro como voluntária, desde seu inicio (em 2018), o projeto de
extensão BrinqueFaE – Brinquedoteca da Faculdade de Educação da Universidade
Federal de Pelotas. De lá pra cá, o projeto vem se tornando, além de um lugar
onde o brincar é livre, um espaço formativo para quem participa.
Na
pandemia, readaptamos as formas de adquirir saberes, para que quando tudo volte
ao normal, possamos estar ainda mais preparados(as) para receber a visita das
crianças.
Com
isso, os professores que coordenam o projeto de extensão, propuseram uma ação
de ensino e desta, surge a escrita a seguir.
ARTIGO SUBMETIDO NO VI CONGRESSO DE ENSINO DE
GRADUAÇÃO - VI SIIEPE - UFPEL 2020
BRINQUEDOTECA
DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO:
REFLETINDO
DE FORMA REMOTA
ESTEFÂNIA ALVES KONRAD1;
EDSON PONICK2;
ROGÉRIO COSTA WURDIG3.
1Universidade Federal de
Pelotas – estefanaikonrad@hotmail.com
2Universidade Federal de
Pelotas – edsonponick@gmail.com
3Universidade Federal de
Pelotas - rocwurdig@hotmail.com
1. INTRODUÇÃO
No ano de 2020
fomos impossibilitados de realizar de forma presencial o Projeto de Extensão da
Brinquedoteca da Faculdade de Educação (BrinqueFaE/UFPel). Contudo,
desenvolvemos uma ação de ensino a ele vinculada e intitulada "A
brinquedoteca como espaço e tempo lúdico-formativos". Essa ação tem como
foco a leitura e o estudo de bibliografia referente à cultura lúdica, às
interações das crianças em brinquedotecas e à metodologia de pesquisa com
fotografias e audiovisuais.
Assim, neste
resumo, abordamos sobre os estudos e debates que são realizados no campo da pesquisa
com fotografias e vídeos, estudando metodologias que ajudem na análise do
acervo de imagens e vídeos da BrinqueFaE. Também fizeram parte dessa ação a
reflexão sobre o conceito de brinquedoteca, visitas virtuais a brinquedotecas
localizadas em outros espaços, discussões sobre a importância do brincar, da
produção da cultura lúdica e a análise de fotos e vídeos de crianças brincando.
Para este último, foram resgatados lembranças e registros fotográficos pessoais
de brinquedos e brincadeiras que integraram a infância dos participantes do
projeto.
Para embasar
teoricamente estes momentos reflexivos, utilizamos RAMALHO; SILVA (2003), que
dissertam sobre conceitos de brinquedoteca, apresentam eventos que ocasionaram
o desenvolvimento das brinquedotecas pelo mundo, apontam as principais
brinquedotecas brasileiras e salientam a importância desse espaço para o
desenvolvimento das crianças.
Em relação à
cultura lúdica, MONTEIRO; DELGADO (2014) defendem o protagonismo das crianças,
entendendo-as como “[...] atores, no sentido de que são participantes ativos na
construção de suas culturas” (p. 107). E ainda afirmam a não universalidade da
cultura lúdica, uma vez que nem a própria infância é universal, pois se altera
de acordo com aspectos religiosos, sociais, políticos, econômicos, de gênero,
étnicos, entre outros, sofrendo também influências dos contextos nos quais as
crianças estão inseridas.
Uma das
metodologias de pesquisa estudadas aborda o uso de fotografias e vídeos com
crianças. Em função das visitas à brinquedoteca da FaE, antes da pandemia,
acumulamos um vasto acervo de imagens que necessita ser reorganizado,
classificado e analisado com o devido cuidado e rigor. Para entender esses
procedimentos utilizamos as contribuições de CAPUTO; SANT’ANNA (2020), que
destacam três aspectos a serem levados em conta na (re)produção de imagens.
O primeiro diz
respeito à propriamente dita produção de
imagens, destacando o Consentimento Livre e Esclarecido (CLE) e o Assentimento
Livre e Esclarecido (ALE), sendo este, o consentimento e assentimento de todos
os envolvidos com a imagem (a criança e seus responsáveis), respeitando os
aspectos sociais subjetivos dos mesmos. O segundo
aspecto concentra-se na utilização de imagens
pré-existentes, que se refere ao uso da imagem como ilustração ou
documentação. E o terceiro agrega a
produção de imagens para a comunicação dos resultados de investigação. Este
último aspecto, segundo os autores, tem pouco reconhecimento acadêmico e
consiste em reduzir o registro exclusivamente escrito dos trabalhos científicos
por outros tipos de linguagens.
Segundo
CAPUTO; SANT’ANNA (2020, p. 312), “todos esses aspectos são fundamentais e
informam o cuidado ético [...]”, estando distante de simplesmente “resumir a
autorizações e assinaturas em papéis (embora autorizações e assinaturas sejam
indispensáveis)”.
A literatura
vista nesta ação de ensino agregou conhecimentos que estão diretamente
implicados nas ações presenciais futuras na Brinquedoteca da FaE. Por isso foi
imprescindível dar continuidade aos estudos sobre a cultura lúdica, bem como
metodologia de pesquisa com fotografias e vídeos.
2. METODOLOGIA
Para reunir as
informações que sustentassem a argumentação e exposição do projeto de ensino "A
brinquedoteca como espaço e tempo lúdico-formativos", optamos pelo método
de inventariar os elementos disponíveis, já que para PRADO; MORAIS (2011), os inventários
“revelam nossas próprias contradições, limites, inconclusões, incertezas,
imprecisões” (p. 146) e, ainda, “resulta[m] em nós uma ampliação da noção de
documento: não apenas a materialidade dos acontecimentos, mas também os
discursos, as narrativas [...]” (p. 151). Este artifício metodológico permite que seja possível
valorizar as colocações orais pertinentes no momento dos encontros, bem como as
escritas compartilhadas e ainda as anotações realizadas durante o processo de
aprendizagem, fazendo com que nenhuma informação seja desimportante.
Os estudos
aconteceram nas plataformas AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem – e Web
conferência da UFPel, entre os dias 26 de junho a 9 de setembro de 2020, com 12
encontros (6 síncronos e 6 assíncronos), tendo atividades previamente marcadas
nas quartas feiras, entre 9h e 11h, contando com a presença de cinco discentes
do Curso de Pedagogia e a mediação dos dois professores pesquisadores e
responsáveis pelo projeto. Dentre as estudantes participantes, quatro (curso
vespertino) já atuavam no projeto como voluntárias e cursavam o último
semestre. Apenas uma delas, a que estava no início do curso (noturno), ainda não
tinha conhecimento da proposta da BrinqueFaE.
Segundo PRADO;
MORAIS (2011, p.148), “são muitas as provocações quando tomamos como objeto de
investigação uma experiência na qual fomos (ou somos) também partícipes, quando
elegemos materiais de análise nos quais estamos profundamente implicados”. No
entanto, é interessante o exercício de revisitar estudos, anotações, discussões
e comentários sejam eles recentes ou não. Esse processo enriquece e fortalece a
assimilação das aprendizagens durante e depois do período da pandemia.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Durante os estudos, fomos provocadas a refletir como a cultura lúdica se
manifesta (ou pode se manifestar) no espaço da brinquedoteca. Essa reflexão desencadeou
uma argumentação coerente com o já conhecido sobre o espaço e o que ainda era preciso
saber para aprimorar as experiências. Mesmo que existam momentos em que as
crianças brincam sozinhas neste espaço, as possibilidades e ofertas sugerem
brincadeiras coletivas. Sendo assim, uma das repercussões da cultura lúdica na brinquedoteca é como potencializadora de interações entre os
pares. A esse respeito MONTEIRO; DELGADO
(2014) dissertam o seguinte:
[...] Por mais indiscutível que seja o fato de a cultura lúdica
participar do processo de socialização da criança, é difícil provar que sua
contribuição seja essencial, pois dizer que o jogo e a cultura lúdica
contribuem para a socialização nada significa, na medida em que se pode dizer o
mesmo de todas as experiências da criança. (p. 113).
Não se pode
afirmar a essencialidade da socialização entre as crianças, porém são inegáveis
suas contribuições.
Sobre a
particularidade da cultura lúdica, pode-se afirmar, com base em MONTEIRO;
DELGADO (2014), que as crianças não apenas vivem o brincar a sua maneira, mas
interpretam e reinventam as experiências que antes tiveram com outras pessoas e
objetos.
Outra reflexão
importante foi sobre o compartilhamento indevido e não autorizado das imagens
das crianças nas redes sociais. Esses registros de forma rápida e sem o consentimento
das crianças e dos responsáveis é inadequado, desrespeitoso e
constrangedor.
4. CONCLUSÕES
Apesar de o
momento pandêmico ser caótico, o grupo se propôs a aprender como estudar e
discutir de forma remota, não se distanciando, em relação à qualidade das
discussões, de encontros presenciais. Tanto que um dos desdobramentos foi o interesse
das discentes envolvidas em expandir e continuar os estudos com a intenção de
lapidar e sistematizar o que já foi refletido, bem como obter novos
conhecimentos acerca da temática. Em relação às questões pontuais estudadas
nesta ação de Ensino, destaco como principais aprendizagens: a importância do
espaço (brinquedoteca) para o desenvolvimento das crianças, a compreensão da
não universalidade da cultura lúdica e a pertinência/responsabilidade da ética
ao registrar fotograficamente crianças e suas pluralidades.
5. REFERÊNCIAS
CAPUTO, S. G. SANT’ANNA, C. “Sou ekedi Lara de Oxóssi.
meu nome sou eu e Oxóssi. Não coloca meu nome sozinho não”: Notas sobre
fotografia e ética nas pesquisas com crianças. Rev. Eletrônica Mestr. Educ. Ambient. Rio Grande, Dossiê temático
“Imagens: resistências e criações cotidianas”, E-ISSN 1517-1256, p.307-326,
2020.
MONTEIRO, C. M. V. R. DELGADO, A. C. C. Crianças,
brincar, culturas da infância e cultura lúdica: uma análise dos estudos da infância. Saber & Educar 19, Pelotas, Educação e trabalho social,
p.106-115, 2014.
PRADO, G. V. T. MORAIS, J. F. S. Inventário – Organizando os achados de uma
pesquisa. EntreVer,
Florianópolis, v. 01, n.01, p. 137-154, 2011.
RAMALHO, M. R. B. SILVA, C. C. M. A brinquedoteca.
Revista ACB, Florianópolis, v. 8, n.
1, 2003.
VÍDEO DE APRESENTAÇÃO DO ARTIGO
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