quinta-feira, 22 de julho de 2021

Pesquisa sobre a disseminação da literatura no Instagram

Por: Estefânia Alves Konrad

Entrei em contato com @capradelivros@ele.fante.histórias e @escrevendopedros, via direct do Instagram e encaminhei as seguintes perguntas: 

"Como começou a tua relação com a literatura?; Por que decidiu criar conteúdo digital para compartilhar teus conhecimentos?; Há quanto tempo produz este tipo de conteúdo?; Quais eram os objetivos iniciais com as postagens?; Eles se alteraram com o tempo?; Quais são as metas em longo prazo?; O que funciona e o que não funciona?; Quais métodos já sabias e quais precisou aprender para conseguir utilizar a plataforma na qual faz as postagens?; Com que frequência realiza os posts?; Acredita que isso interfere ou beneficia para alcançar os objetivos?; Tem publico alvo?; Sabe estatisticamente qual público atinge?”.

Leonardo Capra 

Instagram: @capradelivros 


Como começou a tua relação com a literatura?

Minha relação com a literatura começou cedo, quando frequentava o ensino fundamental, mas não foi por intermédio da escola, mas sim, pelo gibis da Turma da Mônica que meu primos traziam de São Paulo. Era assim: aqueles que eles não gostavam mais ele levavam para o Rio Grande do Sul, eu que vivia na roça com meus pais, aproveitava demais as histórias em quadrinhos, já que não tinha livros e adorava ler.

Meu primeiro livro que me apaixonei foi "Por um simples pedaço de cerâmica" da Linda Sue Park, depois dele me tornei um leitor constante tive uma professora de Literatura que me incentivou a ler os clássicos brasileiros, me indicado livros conforme eu ia gostando ou desgostando das leituras anteriores depois troquei de escola, na escola técnica, em 2013 cursei apenas o técnico porque já tinha feito o médio na outra escola, e no turno da manhã fui responsável pela biblioteca da escola, que na época não tinha ninguém para lá estar, eu mesmo me ofereci. Foi uma experiência incrível, conheci muitos livros enquanto os organizava, conheci gêneros novos e também leitores que tinha gostos diferentes dos meus, achei estranho, aprendi bastante. Minha relação com a literatura fortificou quando conheci a professora Cristina Maria Rosa, professora universitária do curso de Pedagogia, o qual cursei de 2015 até 2019. Ela apresentava títulos, autores, gêneros, maneiras de ler, estratégias de leitura, espaços literários e assim fui ampliando meu repertório literário e consequentemente meu acervo.

Agora que sou professor municipal e tenho uma renda física, invisto mensalmente na compra de obras, para mim e para meus alunos. Ampliei meu vocabulário, percorri linguagens diferentes e leio semanalmente para os pequenos. Posso afirmar que neste momento a Literatura faz parte de todos os meus dias, direta e indiretamente.

Outro destaque importante é quando pequeno, eu e minha prima, dois anos mais novos, brincávamos que seríamos apresentadores do Globo Rural, por isso juntávamos as revistas da casa da minha avó paterna, escolhíamos reportagens que achávamos interessantes, fazíamos a leitura silenciosa e depois brincávamos de apresentadores lendo as reportagens em voz alta. Foram momentos divertidos, nos quais utilizávamos da leitura como forma de brincadeira.

Por que decidiu criar conteúdo digital para compartilhar teus conhecimentos?

Decidi criar conteúdo digital literário para firmar um compromisso como leitor, primeiro comigo mesmo, afim de criar constância na leitura literária e depois para compartilhar. Importante salientar que primeiro o compromisso foi comigo, pois ao contrario de muitos influenciadores digitais eu consumo o produto que recomendo. O artefato cultural livro é lido, analisado, resenhado, fotografado/filmado e só depois é compartilhado com "seguidores". Quando tu ofereces um produto tu é responsável por ele, por isso não é qualquer coisa que serve, é necessário estudo, método, estratégia e compromisso com quem te assiste.

E, quando o conteúdo é exposto ele reverbera, algumas pessoas sentem-se a vontade para também indicar livros, como uma forma de troca, outros reclamam da obra, elogiam o livro, dizem que querem muito ler este ou aquele. O que quero dizer: um livro indicado gera uma reação, de naturezas diversas, e é responsabilidade do criador de conteúdo lidar com seu seguidor, seja para orientá-lo, acalmá-lo ou aconselhá-lo a abortar a missão em alguns casos.

Há quanto tempo produz este tipo de conteúdo?

Comecei a produzir o conteúdo literário digital no dia 26 de julho de 2020, a primeira obra indicada foi "A história mais triste do mundo" de Mário Corso.

De lá para cá, firmei um pacto com os leitores/espectadores: indicar todo domingo às 13 horas um livro.

Geralmente uma foto da capa da obra, acompanhada com uma resenha opinativa, alguns critérios específicos de cada livro e uma frase marcante da obra.

Quando a indicação é feita através de vídeo (IGTV ou REELS) o conteúdo do vídeo vem munido de legenda, para que todos os telespectadores possam acessar o conteúdo ali encontrado, já que entre os seguidores que acompanham o canal, estão pessoas que não escutam.

Quais eram os objetivos iniciais com as postagens?

Os objetivos eram: ler mais e melhor, oferecer literatura de qualidade para pessoas que não tem conhecimento da área, compartilhar e compartilhar emoções e dores advindos dos livros, qualificar literariamente crianças, professores e adultos que estão na rede social Instagram, debater literatura.

Eles se alteraram com o tempo?

Não e sim, na verdade eles se ampliaram devido as necessidades que meu público demandava. Por isso, por exemplo, tive de explorar gêneros e temas que inicialmente não tinha pensado.

Um curso sobre as obras de Machado de Assis, foi uma das coisas que inicialmente não esperava fazer, e agora já feito achei uma delícia.

Conheci mangás, um gênero muito bem quisto entre o universo geek

Também acompanhei filmes que foram produzidos em decorrência dos livros indicados para qualificar as colocações na rede social e convencer meu público ou não a ler.

Importante dizer que a ampliação dos objetivos foi natural, quase imperceptível, em decorrência das trocas literárias intensas que acontecem online.

Quais são as metas em longo prazo?

Ler pro prazer, indicar com responsabilidade e conhecer mais leitores, opiniões, leituras e pontos de vista.

Manter e ampliar a qualidade da forma de entregar as postagens aos leitores/espectadores

O que funciona e o que não funciona?

A interatividade funciona bastante. Enquetes nos stories funcionam muito: tu planta a dúvida na cabeça do leitor, que não conhece o livro, faz mais perguntas, instiga, instiga, instiga e indica o livro.  Nunca entregar toda a história, ler um pedaço, contar uma parte, fazer perguntas, isso funciona!

Ser gentil funciona também, sempre responder. As vezes tu recebe um comentário que não é o que tu estava esperando, mas era o que o seguidor estava sentindo. E a conversa funciona.

O que não funciona é não ser pontual, o próprio Instagram te boicota se tu não és pontual.

O que é boicote do Instagram? Eu explico: ele tira o engajamento da tua rede social quando tu posta em outros horários fora da rotina, ou quando tu não posta. Ou seja, ele não entrega a postagem para os seguidores, assim quem aguarda teu conteúdo acaba não recebendo.

Por isso é importante cumprir com o compromisso firmado, palavra dada tem que ser palavra cumprida.

Quais métodos já sabias e quais precisou aprender para conseguir utilizar a plataforma na qual faz as postagens?

eu sabia ler, sabia falar, e sabia conversar

tive que aprender a postar, decorar, fotografar, gravar, editar.

Aprendi a escrever resenhas mais diretas e instigantes. Muitas das coisas que citei nesta resposta dão bastante trabalho, então ser mais paciente também foi um método que tive de aprender.

Com que frequência realiza os posts?

Semanalmente, aos domingos ás 13 horas da tarde.

E nos stories do Instagram, instigo meus leitores no mínimo duas vezes por semana. Com perguntas sobre obras e leituras já indicadas anteriormente

Acredita que isso interfere ou beneficia para alcançar os objetivos?

Não sei responder esta pergunta, sempre tenho em mente que este meu compromisso não pode demandar um tempo maior do que eu possa oferecer. Sou professor da rede municipal e mestrando e por isso as coisas precisam ser bastante organizadas. Tenho atingido boa parte dos meus objetivos com o Capradelivros e como tudo flui, vou adaptando as coisas conforme as necessidades dos leitores que me assistem, da rede social e as minhas também. Não sei se respondi a pergunta.

Tem publico alvo?

Meu público alvo são os humanos.

O conteúdo é diversificado, tem literatura infantil e juvenil para as crianças que acompanham o canal, para os professores que buscam por indicações literárias, para pais-mães-familiares que querem ler para os pequenos, assim busco sempre indicar mensalmente dois livros do gênero mencionado.

Só que: a grande parte dos seguidores são adultos que buscam literatura adulta, por isso os outros dois domingos são destinados para publicações adultas.

Homens são predominantes entre os seguidores

Mulheres interagem mais

Tem muita coisa no Capradelivros, são cerca de 52 postagens feitas neste intervalo de um ano do começo.

Acho que tem pelo menos um livro que chamou atenção de cada seguidor/leitor, falando aqui de literatura, é claro.

Sabe estatisticamente qual público atinge?

56,5% são homens

43,5% mulheres

46,2% são jovens de 18 a 24 anos

39% tem entre 25 a 34 anos

são seguidores do Brasil, Estados Unidos, Argentina, Hong Kong e Austrália

os brasileiros predominam com 98,9%

dentro do Brasil destaque para o Rio Grande do Sul

40,2% são pelotenses

Depois destaques para as cidades de Guaporé, Rio Grande, Porto Alegre e Nova Prata. Dentro do Brasil aparecem como os estados que mais interagem: Rio Grande do Sul, São Paulo,Pará, Santa Catarina, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Minhas Gerais e Paraná.

-

Cibele Fernandes

Instagram: @ele.fante.histórias



Como começou a sua relação com a literatura?

Olá. Minha relação com a literatura começou depois que me tornei adulta,quando fui trabalhar como vendedora em uma livraria. Tenho 32 anos , logo, quando era criança, não havia tantos estímulos externos sobre ler, ou pelo menos não chegavam a mim. Sou de uma família pobre, nunca me faltou nada, mas com certeza , o acesso a esses materiais não era prioridade.O acesso aos livros acontecia através da escola, naquele sistema de ir à biblioteca durante a semana, mas conforme fui crescendo e as leituras não eram mais “obrigatórias" e os livros não me despertavam desejo. Meu encontro de verdade com a literatura, aconteceu quando fui trabalhar na livraria, no setor infanto juvenil e foi lá que compreendi o mundo incrível que existia, e amava observar as ilustrações, os textos, entender quem eram escritores e as até as pessoas que iam até a livraria me interessavam.

Porque decidiu criar conteúdo digital para compartilhar seus conhecimentos ?Há quanto tempo produz esse tipo de conteúdo?

A criação de um espaço virtual se iniciou em 2015. Quando eu e Carlos, meu irmão de vida ,de histórias e parceiro da Elefante Colorido, decidimos fazer alguns vídeos contando histórias no youtube, nossa ideia era de divulgar nosso trabalho e assim conseguir retorn para nosso trabalho presencial.

Quais eram os objetivos iniciais de postagem? Eles se alteraram com o tempo ? Quais são as metas a longo prazo? O que funciona e o que não funciona ?

As postagem tinham como objetivo conversar com público que se interessasse pelo assunto - literatura infantil e contação de histórias. Nosso foco migrou de plataforma e foi para instagram e posso dizer que não tenho números significativos por lá, mas que a plataforma serve como um grande ambiente de divulgação, esse era o objetivo desde o início e continua o mesmo. Quando pensamos em metas, preciso destacar que não trabalhamos exclusivamente com contação, e que essa é uma realidade da grande maioria dos contadores e eu preciso informar sobre isso. Eu e Cadu somos formados em Teatro, atuamos com professores, fazemos lives para escolas, eventos, editores. Inclusive, atualmente, estamos em cidades diferentes, e eu gerencio de forma mais efetiva o insta. Posso destacar que os conteúdos postados como dicas de livros, poesias, brincadeiras tem um retorno mais ativo, e vídeos curtos e divertidos garantem retorno. As lives de histórias são incríveis para conhecermos autores,ilustradores e futuros clientes. Devo pontuar aqui, que nunca trabalhamos exclusivamente com contação, sempre tivemos alinhados com outros jobs com retorno financeiro , para que pudéssemos continuar a fazer o que amamos.

Quais os métodos já sabias e quais precisou aprender para conseguir utilizar a plataforma na qual faz as postagens ? Com que frequência realiza os posts ? Acredita que isso interfere ou beneficia para alcançar os objetivos ?

O mundo virtual exige muito foco e alimentação contínua para que se mantenha , e disso nós já sabíamos, tentamos de início nos alinhar com essa demanda, mas confesso que não é algo natural para nós. Já fiz cursos, vejo vídeos sobre como postar ,que horas, qual o melhor conteúdo. Mas trabalhamos de forma orgânica, não sistemática e isso funciona melhor para nós. Os dois últimos meses foram mais conturbados, logo não mantemos uma frequência.Mas anterior a isso, estava trabalhando com publicação de dicas de livros, reels, e vídeos. A proposta é manter três publicações por semana + uma live de histórias e storys.

Tem público alvo ? Sabe estatisticamente qual público atinge ?

Nosso público alvo são as escolas, que compram nosso trabalho, na sequência os pais das crianças - que são também são o nosso público - pois são eles que mostram nosso material para os pequenos. E dentro desse público, destaco as mulheres.. Mulheres , mães que estão ativas nas redes e veem nosso trabalho como estímulo para os pequenos. Já fiz algumas pesquisas,conversando com famílias para compreender melhor qual a demanda que eles tinham em relação à literatura ou quais as contribuições do nosso trabalho.

-

Aliana Cardoso

Instagram: @escrevendopedros


Como começou a tua relação com a literatura?

Eu não fui uma criança leitora, principalmente pela falta de acesso (fui criança nas décadas de 1980/90). Na adolescência e no início da vida adulta eu lia por obrigação (vestibular, depois faculdade, depois trabalho) e, mais tarde, pouco antes de me tornar mãe, passei a ler por prazer. A literatura destinada às infâncias entrou na minha vida quando eu atuava como professora na sala de aula da Educação Básica (adorava incluir histórias nas minhas aulas); mas tomou forma mesmo, essa de ler sem pretexto, de ler só porque é bom, quando passei a ler para o meu filho desde que ele era bebê.

Por que decidiu criar conteúdo digital para compartilhar teus conhecimentos?

Quando eu passei a escrever para crianças, quando fiz um projeto de escrever literatura para os pequenos, eu o fiz porque tenho noção da potencialidade da literatura para a formação de seres humanos melhores do que nós fomos e somos. Não sou defensora da leitura como instrumento (para), somente. Mas sei que as histórias, os livros e tudo o que eles proporcionam, entrega às crianças um sem fim de possibilidades de ser e estar no mundo, de entender a si e aos outros, de significar, re-significar, pensar, destruir, construir, agir. E os adultos precisam também pensar sobre isso. Decidi, então, que mais do que falar sobre a literatura que eu escrevo, meu conteúdo também problematizaria o uso e as potencialidades da literatura infantil contemporânea.

Há quanto tempo produz este tipo de conteúdo?

O projeto @escrevendopedros completa um ano em agosto de 2022.

Quais eram os objetivos iniciais com as postagens? Eles se alteraram com o tempo? Quais são as metas em longo prazo?

Os objetivos continuam os mesmos: possibilitar a reflexão sobre a literatura para as infâncias e suas potencialidades; promover obras cujas temáticas/composição se alinham à literatura que eu produzo, ou seja, que possibilita o pensamento para a desconstrução do mundo como ele é e a construção de um mundo melhor para todos nós; divulgar editoras alinhadas com à literatura que eu acredito e produzo; compartilhar meus textos e meus livros.

O que funciona e o que não funciona?

Acredito que, quando o conteúdo chega até as pessoas, ele atende aos objetivos a que me proponho com o trabalho (tendo como base os feedbacks que recebo). A maior dificuldade está em fazê-lo chegar. Procuro diversificar a forma do conteúdo; organizar as postagens para que tenham coerência e frequência; caprichar nas performances, ou seja, dançar a música que o instagram toca. Contudo percebo que o assunto não “vende” tanto quanto é a sua importância. 

Quais métodos já sabias e quais precisou aprender para conseguir utilizar a plataforma na qual faz as postagens?

Fora escrever, tive que aprender tudo (e sigo aprendendo). Desde a elaboração de card’s, gravação e edição de vídeos, me acostumar com lives, com a exposição na tela. Tudo foi e é muito novo. 

Com que frequência realiza os posts? Acredita que isso interfere ou beneficia para alcançar os objetivos?

Eu publico diariamente, de forma variada. Card’s no feed, vídeos curtos, vídeos mais longos, vídeos com conteúdo sério, vídeos para descontrair, presença nos stories. Acredito que isso beneficia o meu alcance pois quem é meu seguidor sabe que tem conteúdo todo dia, mesmo que de uma forma mais leve, sempre tem conteúdo.

Tem publico alvo? Sabe estatisticamente qual público atinge?

Meu público alvo são famílias e profissionais que trabalham com crianças. Estatisticamente eles são a esmagadora maioria dos meus seguidores (cerca de 80% são homens e mulheres entre 25 e 44 anos).